sábado, 24 de junho de 2017

O quê? Lula está solto???!!!


Eleições de 2018 vão dizimar aliados de Lula e Dilma no Senado

Doze dos senadores que apoiaram encarniçadamente Dilma e Lula no Senado - a tropa de choque do lulopetismo - encerram seus mandatos no próximo ano. Nada indica que serão reeleitos:


A renovação de dois terços do Senado nas eleições do ano que vem vai atingir em cheio alguns senadores de esquerda, que costumam fazer barulho na Casa e defender os governos de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Dos 16 senadores mais atuantes desse grupo, 12 vão encerrar seus mandatos – sete deles petistas. E o cenário para tentar uma reeleição aponta para dificuldades. Vários devem sair candidatos a deputado federal.

Os que desejam se reeleger sabem que a realidade de 2018 será bem diferente da de 2010, quando conquistaram seus mandatos. Seus partidos foram atingidos por denúncias nesses últimos oito anos e os “outsiders” andam ganhando espaço com o discurso de aversão ao político tradicional. Além de uma campanha ao Senado ser considerada de custo financeiro alto, hoje já não é possível arrecadar contribuições junto a empresas que costumavam financiar candidatos – a doação empresarial foi proibida.

O PT deve ser o partido mais atingido. Já teve 14 senadores, hoje tem nove, e sete deles vão embora. Poucos têm boas chances de reeleição, casos de Jorge Viana (AC) e Humberto Costa (PE). Talvez os petistas mais expostos nas defesas dos legados de Lula e Dilma, os senadores Lindbergh Farias (RJ) e Gleisi Hoffmann (PR) patinam em popularidade e, se decidirem buscar a reeleição, não devem lograr êxito. Ambos foram atingidos por denúncias da Lava Jato e devem tentar vaga na Câmara dos Deputados.

Sem trocar o certo pelo duvidoso

Esse é um projeto de Lula: eleger a maior bancada de deputados federais ano que vem. A orientação é que nomes de ponta e destaque do partido assegurem um mandato na Câmara e não se arrisquem em eleições que não tenham garantia de vitória. A ordem é não trocar o certo pelo duvidoso. De quebra, um mandato eletivo na Câmara ainda assegura o foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal para quem for implicado, por exemplo, na Lava Jato.

Outro detalhe importante: Lula candidato ou não faz toda a diferença. Com o petista concorrendo à Presidência, as chances de o partido fazer mais deputados e senadores ampliam numa escala enorme. Em especial no Nordeste, onde o petista é favorito.

“Se o PT repete o mesmo número de senadores eleitos? Depende muito. Se houver uma candidatura de Lula, se ele tiver condições de disputar e não for impedido, certamente faremos uma boa bancada no Senado. Isso amplia as chances de muitos voltarem. Se não tivermos essa candidatura, vai haver muita dispersão partidária. As vagas serão diluídas. PMDB e PSDB também serão atingidos. Agora, Lula no Nordeste pode puxar muita gente”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), que irá tentar a reeleição. “Quero ser candidato à reeleição. Trabalho com esse objetivo.”

Nomes de outras legendas que ganharam destaque como defensores do mandato de Dilma e opositores do governo Temer também vão deixar a Casa e enfrentar novamente as urnas. São os casos de Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). No opositor PMDB, o desfalque será de Roberto Requião (PR), outra incógnita. O provável é que busque a reeleição. (Acompanhe os detalhes na Gazeta do Povo).

Morrer entre brutos é triste

Artigo do jornalista Alberto Gonçalves, publicado no Observador, faz dura crítica à mentalidade e aos governantes portugueses diante do incêndio d Pedrógão Grande:


Anteontem, o “Jornal de Notícias” recordava o “‘inferno’ idêntico ao de Pedrógão”, que “reduziu a cinzas cidade no Canadá”. Aconteceu em 2016, queimou 590 mil hectares e obrigou a evacuar Fort McMurray, uma cidade de 80 mil habitantes. O “JN” diz, provavelmente com razão, que “ninguém poderia prever” aquilo. O que o “JN” não diz é o número total de mortos. Digo eu: zero.

Ao invés dos abundantes especialistas em floresta que despontam por cá a cada Verão (ainda assim insuficientes para impedir a floresta de arder com empenho), acredito existirem fogos impossíveis de prever e quase impossíveis de controlar. Fortuita ou provocada, por árvore delinquente ou pirómano de aldeia, a destruição leva sempre vantagem. Embora Portugal queime de forma rara em regularidade e dimensão, às vezes há catástrofes devastadoras até em paragens desenvolvidas e organizadas e demograficamente equilibradas. Às vezes, a resignação é o único remédio.

Pedrógão Grande, porém, é um caso diferente. Aquele não foi um simples incêndio. Foi, desde que há registos fiáveis, um dos incêndios florestais mais mortíferos da História, portuguesa, europeia ou mundial. Na Califórnia, onde as chamas costumam arrasar territórios imensos e lugarejos inteiros, o recorde de fatalidades são 29, em 1933, e a regra duas ou três. Sessenta e quatro vidas, contas provisórias e para cúmulo numa área pouquíssimo povoada, não é um dado comum. É um massacre evitável. E é um crime fingir que não.

Na quarta-feira, o exacto dia em que a nomenclatura do regime compareceu pesarosa ao funeral de um bombeiro, o Presidente da República declarou que a “unidade nacional” perante a tragédia “mostra bem como somos uma nação antiga e uma nação muito forte”. À superfície, tais palavras são apenas um deprimente vazio. Sucede tratar-se do exacto PR que, entre abraços sortidos, ocupou os minutos iniciais que os noticiários dedicaram ao incêndio para garantir que fora feito tudo o que se podia fazer. Pelo meio, o país tomou conhecimento de dezenas de mortos e da radical desorientação ou impotência das autoridades. E o país viu-se atacado por uma operação, talvez inédita, de manipulação informativa liderada pelo governo e patrocinada por boa parte dos “media”. O país que quis perceber percebeu que a “nação muito forte” é uma coisinha débil, e que a “unidade nacional” é uma estratégia repugnante para, em nome das vítimas, socorrer os suspeitos. Note-se que não acuso ninguém. Não é preciso: os esforços para suprimir culpas são a sua maior admissão.

A “incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”, berrava o BE em 2015, face a 28 mil hectares queimados e, suponho, morto nenhum. Agora, a actriz Catarina Martins implora no Twitter: “Que venha a chuva. Bom dia”. A brandura é partilhada pelo PCP, o qual, salvo por um patético “pedido de esclarecimento”, refugiou-se no luto. “Luto”, aqui, é código para “ganhar tempo”. Não surpreende a cumplicidade dos partidos comunistas no arranjo. Não surpreendem os esforços do PS na elaboração do arranjo. Não surpreende o aval do PR ao arranjo, visto que já só os ceguinhos não vêem a verdadeira função do prof. Marcelo. E não surpreende a ajuda das televisões e dos jornais à eficácia do arranjo.

Numa proeza sem grandes precedentes na cronologia do servilismo ocidental, um diário de rever…, perdão, referência, mobilizou todo o corpo de colunistas para atribuir Pedrógão Grande à desdita, à conspiração dos elementos e – segurem-se – ao “fogo que voa”. É um mero, mesmo que particularmente asqueroso, exemplo. Descontadas as excepções, o tom das “notícias” não tem fugido à produção de prosa “poética” e sentimento. Em contrapartida, foge a oito pés na hora de escrutinar o poder. Editoriais espanhóis decretam o fim da carreira do primeiro-ministro, mas ignoram que o repórter português médio permite que o excelentíssimo espécime coloque as perguntas que quer em lugar de responder às que não quer. Mal habituados, jornalistas a sério não concebem que o jornalismo a brincar colabore com estadistas de trazer por casa em sinistras encenações de compaixão. Aliás, o jornalismo a brincar também não concebe o seu oposto: um colunista do “El Mundo”, crítico das nossas desgraças, anda a ser investigado pelos colegas de cá, abismados com o desplante.

Em nações menos exóticas, haveria quem expusesse o talento do dr. Costa, de certos amigos do dr. Costa e de outras personalidades admiráveis no “investimento” de milhões em comunicações que não comunicam e em helicópteros que não descolam. E quem fosse directa ou indirectamente responsabilizado pelas famílias encurraladas e carbonizadas em plena estrada, que se apelida “da morte” para efeito “dramático”. E quem denunciasse as mentiras cometidas por figuras ditas de relevo a partir do ponto em que a quantidade de cadáveres era demasiada para continuar a adiar a divulgação. E quem, acima dos estropícios que entopem a Administração Interna, explicasse em língua de gente a recusa dos bombeiros galegos. E quem lembrasse que é tão fácil quanto inútil ganhar campeonatos de futebol, festivais de cantigas e incumbências na ONU: difícil é ganhar vergonha na cara.

Nações menos infantis não descansariam até varrer os demagogos que celebram glórias imaginárias e fintam as desgraças autênticas. Portugal, não. Portugal respeita os mortos, leia-se espera que os vivos não perturbem a “estabilidade”. Portugal observa prioridades, leia-se deixa arrefecer o assunto. Portugal não cede à baixa política, leia-se permite a impunidade geral. Portugal está unido, leia-se criou-se um ambiente hostil a questões desagradáveis. Portugal, repete-se, é uma nação muito forte, leia-se um recreio de oportunistas, desnorteados ao primeiro assomo da realidade.

Sobra uma lição, que a “nação muito antiga” teima em não aprender. Em Pedrógão Grande, o Estado falhou no solitário papel que lhe devia caber: proteger fisicamente os cidadãos. Logo o Estado, de que os portugueses esperam tudo e, no momento que importa, obtêm nada. Não é coincidência.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O Brasil pergunta a Janot e Joesley: cadê a metade que falta?

Até agora, o açougueiro predileto do lulopetismo praticamente deixou Lula fora da delação - logo ele, Joesley, que mamou uma fortuna dos brasileiros via BNDES, com o beneplácito do tiranete. Post de Augusto Nunes (Veja.com):


O Supremo Tribunal Federal decidiu que o acordo entre Rodrigo Janot e Joesley Batista não precisa de revisão, que o ministro Edson Fachin seguirá cuidando da meia delação premiadíssima e que, ao menos por enquanto, continuam valendo os benefícios que condenaram à impunidade perpétua um esquartejador da verdade. Com a decisão o STF aparentemente buscou impedir que os advogados dos quadrilheiros passassem a contestar todas as revelações de quem aceitou colaborar com a Justiça. O problema é que essa obscenidade parida em Brasília pelo procurador-geral da República pode desmoralizar o instrumento jurídico que, utilizado com inteligência em Curitiba, ajudou a iluminar a face escura do Brasil.

O correto seria percorrer o caminho do meio. As vigarices expostas por Joesley imploram por investigações e, se for o caso, castigos exemplares. Se o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, por exemplo, fizeram o que parecem ter feito, merecem o purgatório onde penam traidores de milhões de profissionais da esperança. Mas a história das falcatruas da JBS não pode limitar-se à primeira parte. Joesley está obrigado a exumar a metade que falta. O país que presta quer saber quando o açougueiro predileto dos governos do PT abrirá o baú das bandalheiras que praticou com a cumplicidade ativa de Lula, Dilma e a chefia do BNDES. Que tal começar pela suspeitíssima reunião que juntou Joesley, Lula e Eduardo Cunha no Sábado de Aleluia de 2016.

Figurões do Judiciário, do Executivo, do Legislativo e do Ministério Público teimam em fechar os olhos ao Brasil que a Lava Jato despertou. (Refiro-me, insisto, à verdadeira Lava Jato, personificada por Sérgio Moro, não à caricatura liderada pelo procurador-geral que presenteia bandidos bilionários com o status de inimputável). Esse novo país exige o enquadramento de todos os delinquentes, mesmo suspeitando que a tribo dos homens públicos honrados caiba numa maloca. Com o sumiço dos velhacos hegemônicos, a espécie em extinção vai multiplicar-se rapidamente. É hora de começar tudo de novo.

Um ano de Brexit: olhem a cara de sofrimento dos ingleses.

Um ano depois do Brexit, os ingleses continuam com a cabeça no lugar, só se permitindo alguns momentos de delírio, com "chapéus enlouquecidos" - e apesar da birra de franceses, alemães e tutti quanti. Texto de Vilma Grysinski (Veja.com):


Os perdedores continuam chorando como bezerros desmamados. A cabeça de Theresa May continua por um fio. Franceses, alemães e outros continuam a fazer birra.

E o povo britânico continua com a cabeça no lugar – só se permitindo uns momentos de delírio, manifestados em chapéus enlouquecidos, durante a temporada de corridas de cavalo, o carnaval deles.

Um ano depois do plebiscito que aprovou a saída da União Europeia, a situação é a seguinte: 45% dos eleitores que votaram pelo Brexit continuam querendo; 23% que votaram contra, acham que o governo precisa seguir o desejo da maioria; 22% continuam sendo contra, mesmo que isso contradiga o voto popular.

Ainda são altas, embora ligeiramente menos do que há apenas poucos dias, as probabilidades de que a primeira-ministra Theresa May seja tirada pelo próprio partido, uma das vantagens do sistema parlamentarista para os casos de governos que se tornam impopulares.

Só para lembrar: ela seria substituída por outro líder escolhido pelo Partido Conservador, o qual, nem se fosse suicida, poderia tentar o Brexit light, uma versão atenuada da separação. Sair é sair e May foi tratar disso na Bélgica.

TRAGÉDIAS IMAGINÁRIAS

A ideia de que ela seria “humilhada” é mais fruto da imaginação da turma do chororô. Como deveria ter feito desde o começo, May propôs que todos os cidadãos europeus radicados no Reino Unido até março passado, quando ela invocou a cláusula de ruptura, poderão continuar desfrutando dos mesmos benefícios.

A expulsão em massa de cônjuges e criancinhas, entre outras tragédias imaginárias, foi mais uma das muitas bobagens dos inconformados com o Brexit. E é claro que os mais de 900 mil britânicos vivendo em outros países da União Europeia precisarão ter tratamento equivalente.

Também seria absurdo se a questão dos cidadãos europeus residentes ficasse sob a jurisdição do Tribunal Europeu de Justiça. O principal motivo da aprovação da saída foi o excesso de intervenção de organismos europeus em esferas da soberania nacional britânica.

Mas os burocratas-chefes europeus estão se achando. Querem jogar para a plateia – o público remanescente nos países da União Europeia que, na proporção de 65%, apoiam um tratamento severo para a Pérfida Albion.

Jean-Claude Juncker sempre fez este estilão e Donald Tusk só pensa naquilo – voltar para a política de seu país, a Polônia, e ser primeiro-ministro. Mas, quando pesam na mão, provocam o efeito contrário: muitos ingleses se sentem aliviados com a hipótese de que se livrarão de uma burocracia super-turbinada.

A conversa do momento é um tal de PESCO, ou Cooperação Permanente Estruturada, uma espécie de proto-exército europeu. Muitos britânicos preferem continuar com seu exército mesmo. Ainda por cima, o novo leviatã burocrático soa como Tesco, a rede de supermercados populares, nada muito inspirador. Nem marcial.

MODELO VENEZUELANO

O grande balanço da opinião popular feito um ano depois do plebiscito mostra que as três maiores preocupações com o Brexit são na esfera econômica: aumento de preços (30%), queda nos investimentos (27%), dificuldades no comércio externo (25%).

Curiosamente, do lado dos pontos positivos, os que vêem mais oportunidades nas trocas comerciais chegam perto de 35%. Queda na imigração (25%) fica em segundo lugar, mais dinheiro para serviços (18%) em terceiro.

Punida por ter deixado o sucesso subir à cabeça, Theresa May ainda é considerada a melhor líder para conduzir o Brexit por um terço da população – uma queda dolorosa dos 48% de que desfrutava, ainda mais quando comparada à subida de Jeremy Corbyn.

O líder do Partido Trabalhista, que aumentou o número de deputados na eleição provocada pelo entorpecimento de May com o poder, tem um programa destinado a destruir o país em todas as esferas, incluindo uma nacionalização de indústrias extraordinariamente parecida com a feita na Venezuela. Nada como querer imitar modelos de sucesso.

Com uma diferença vital: se Corbyn se tornasse primeiro-ministro, dificilmente conseguiria colocar em prática as insanidades prometidas.

A estabilidade embutida no sistema foi o sustentáculo que segurou o país nas últimas crises: três atentados terroristas sucessivos, praticados por extremistas islâmicos. Depois, um atentado de “vingança”, contra muçulmanos que saiam de uma mesquita feito por um desequilibrado.

MASSA DE MANOBRA

O “efeito maluco” não pode ser desprezado. Antes do atropelador da mesquita de Finsbury Park, que tinha seis tentativas de suicídio no currículo, outro doente mental assassinou uma deputada trabalhista, Jo Cox. Nos Estados Unidos, teve o caso recente da tentativa de assassinato de vários políticos republicanos durante um treino de beisebol. O Estado Islâmico também costuma atrair e manipular desequilibrados mentais.

Além dos atentados, com o potencial de provocar o pior dos pesadelos para as autoridades – confrontos diretos entre diferentes comunidades -, Theresa May ainda deu o azar do grande e ainda inexplicado incêndio de um edifício popular recém-reformado.

A revolta natural diante da extensão e da rapidez do fogo que consumiu 79 vidas foi rapidamente explorada por políticos de varias tendências de esquerda. Entre os quais, o próprio Corbyn, que propôs a ocupação de imóveis de luxo para desabrigados.

Atém de perder tanto no incêndio, os sobreviventes da Grenfell Tower se tornariam assim tomadores de coisas dos outros e massa de manobra de candidatos a revolucionários.

EXPLOSÃO EMOCIONAL

Como Theresa May é a primeira-ministra, a culpa acaba em seu colo, ainda que não tenha nem um centímetro de responsabilidade pelo uso de um revestimento inflamável, considerado no momento a causa principal da fúria devastadora do fogo.

Ela foi acusada de insensibilidade durante uma visita ao logo, na qual “apenas” falou com bombeiros. Quem assistiu o filme A Rainha, lembra-se da narrativa principal, baseada em fatos reais: diante da morte chocante da princesa Diana, a rainha Elizabeth levou os netos e a família mais próxima para a Escócia.

Foi Tony Blair, o primeiro-ministro de lábia hábil, quem convenceu a rainha a voltar para Londres e fazer uma manifestação pública de sentimento – algo bastante difícil nas classes altas ou médias da Inglaterra. O povo estava com raiva e exigiu que a família real, tão hostil a Diana, exibisse luto.

Sabe-se agora que, apesar das cenas registradas em vídeo na qual Elizabeth recebe flores e acenos discretos ao circular diante do palácio que havia virado monumento temporário a Diana, ela, tão acostumada a ser amada, sentiu muita agressividade naquele dia.

A morte de Diana completará vinte anos no próximo dia 31 de agosto. O furor emocional que tomou o país na época há muito passou. As últimas semanas, com crianças estraçalhadas por um homem-bomba ou queimadas num incêndio hediondo, lembraram em alguma coisa a mesma explosão pública de sentimentos.

Não existe um único motivo para se acreditar que não haverá outros atentados. E outros políticos de carreira subitamente abreviada. E, felizmente, Ascot, um lugar onde só explodem os chapéus e o encantador mau gosto da plebe. Comentar os vestidos feios e os adornos extravagantes traz um enorme alivio nacional.

O maldito vira-casaca!

Não é pelo passado, mas pelo que propôs para o futuro que Temer está sendo fuzilado, escreve Fernão Lara Mesquita no Estadão:


Vingado “o golpe”, estropiado o PSDB, tarde demais para o Brasil, o dr. Janot anuncia-se disposto a conceder que existe, sim, diferença entre “caixa 2” para financiamento de campanhas e o comércio de leis e de acesso aos cofres do BNDES e das “brases” para cúmplices no crime, públicos e privados, se locupletarem, seja de dinheiro, seja de poder ilimitado pela compra da desmoralização da política.

Estes que, ainda que descuidando de examinar a origem, tomaram contribuições privadas apenas para financiar campanhas por mandatos com início e fim – como tomaram todos quantos disputaram eleições nestes 32 anos – eram maioria no Congresso Nacional, conforme estava prestes a ficar provado com a aprovação das duas reformas mandadas por Temer. Uma arranharia de leve o desfrute ilegal-legalizado dos dinheiros públicos pelo “marajalato” de que a corporação do Judiciário ocupa o topo. A outra tiraria de cena, junto com o trabalhismo de achaque, o imposto sindical com que, já lá vão 74 anos, Getúlio Vargas garantiu que no Brasil, em se plantando democracia representativa, não dá.

Tudo foi providencialmente abortado na véspera de ocorrer, mais que pela delação, que sozinha não tem força para tanto, pelas emocionantes “ações controladas” com que o dr. Janot sentiu a necessidade de ilustrá-la, urdidas para o sócio do BNDES de Lula executar e para Luiz Edson Fachin, o juiz que discursava cheio de paixão nos comícios eleitorais de Dilma Rousseff, homologar em tempo recorde.

O reconhecimento dessa diferença a tempo poderia ter proporcionado a virada do cabo das tormentas a que estamos agarrados há três anos por dentro da política. Era o que antecipava uma população tão carente de qualquer gesto a seu favor que fez a economia real reagir antes de qualquer mudança concreta apenas por ter ao longo de um ano no primeiro posto da República alguém que falava de Brasil, e não apenas de si mesmo. Mas o alinhamento que se ensaiava da política com remédio contra a política sem remédio a favor do Brasil não interessava, nem à “privilegiatura”, nem a quem sairia do episódio como o grande derrotado da conspiração mapeada desde o mensalão para “corromper a política” – e não só políticos – e impor ao País uma “hegemonia” bolivariana.

O efeito final que não se conseguiu com dinheiro acabou sendo produzido por essa cegueira temporária da Justiça. Com todos os políticos amarrados no mesmo saco e ameaçados de afogamento iminente, Brasília apropriou-se da marca de Curitiba e, rápida como um raio, reescreveu a “narrativa” da Operação Lava Jato: o maior instrumento da conspiração para destruir a política com dinheiro, valendo quatro Odebrechts em número de almas arrecadadas para o diabo, é reapresentado à plateia como o herói arrependido da luta contra a corrupção “dos brasileiros”; Michel Temer e Aécio Neves, o pedinchador de merrecas, passam de coadjuvantes a “chefes da quadrilha mais perigosa do Brasil” e Lula, coitado, é transposto para os bastidores como um incauto abusado pelos ministros em quem ingenuamente confiou, enquanto o solerte Renan, que sempre sabe onde é que a lepra vai reincidir, dava no Senado a primeira punhalada na reforma trabalhista.

Há muito, já, que o crime aprendeu a instrumentalizar a imprensa. Planta indignação para colher arbítrio com a mesma fria premeditação do terrorista que semeia pânico para colher ditaduras. Mas os jornalistas recusam-se olimpicamente a levar em conta esse dado da realidade. Graças a isso, ao dolo que sempre rondou a operação desse poder coadjuvante (o “4.º”) das Repúblicas, porque poder ele é, também a leviandade do dono, a vaidade do repórter, a pusilanimidade do chefe e até a competitividade das empresas passaram a pesar sem peias na equação que transformou a arma antes mais temida na arma hoje mais acionada pelos inimigos da democracia no Brasil.

Vão pelo mesmo caminho os nossos Ministério Público e Poder Judiciário televisivos. Se estavam “funcionando as instituições”, como se consolavam os brasileiros em dizer mais perto do espigão, isso já não é tão claro a esta altura da nossa ladeira abaixo, pois nem na nossa vasta Constituição está escrita qualquer coisa que autorize essa Lava Jato made in Brasilia a elevar “pegadinhas” à condição de prova, homologar gravações sem gravadores, dar aos grandes a indulgência plenária negada aos pequenos ou “destituir” com um murmúrio de um indivíduo solitário 56 milhões de eleitores (ainda que traídos) sem processo nenhum.

Das 1.829 almas angariadas pelos perdoados ésleys, o dr. Janot e o dr. Fachin monocraticamente se contentaram só com duas. E para trás até da Fifa, seus colegas do STF, onde todos os votos querem continuar para todo o sempre “magníficos”, recusam a contraprova da realidade: se está contra a lei e está contra os fatos, danem-se a lei e danem-se os fatos. Mas não demorou muito e já temos mais um flagrante de contato de mucosas sem proteção entre acusados e acusadores desta delação a entortar a retidão da indignação pública tão cuidadosamente semeada. Lá estavam Lula, Joesley, Temer, Eduardo Cunha e sabe-se lá mais o quê, juntos, uns nas casas dos outros, a nos dizer de novo o que já estamos cansados de saber: que não há santos, há apenas dossiês ainda inéditos.

O pano de fundo que todos cuidam juntos de omitir, imprensa à frente, é o que imediatamente desconfunde toda esta aparente confusão: quão estupenda é a passagem do marajá por este vale de lágrimas e doce é a vida sem crise do nomeado ou do concurseiro que consegue saltar da nau dos que sustentam para a dos que são sustentados!

Tem um Brasil que precisa de reformas para sobreviver e tem um Brasil que não sobreviverá a reformas. Um onde o salário só sobe e outro onde salário não há. Um que tem todos os direitos adquiríveis e outro que não tem direito nenhum.

É isso, sem emoções, que precisa acabar.

Não é pelo passado, em que se lambuzaram todos com todos, que Temer está sendo fuzilado. É pelo que propôs para o futuro o maldito vira-casaca!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O homem de Londres

Paulo Tunhas escreve, no Observador, sobre as presepadas socialistas em Portugal e sobre Darren Osborne, o obscuro homem que atacou muçulmanos em "Londonistão". Isso pode ser apenas o começo, tanto na Inglaterra quanto na Europa:


Quase ninguém falou, em Portugal, de Darren Osborne, o homem de Londres. Percebe-se, é claro. A tragédia dos incêndios ocupou as cabeças todas. A das pessoas comuns, que se perguntaram e se vão continuar a perguntar como é que uma coisa assim foi possível e como foi possível uma tal impreparação e desorganização por parte do governo de António Costa. E a dos oportunistas máximos, os apoiantes desse mesmo governo, que deram as voltinhas todas, Maduros da nossa Venezuela lusitana, para preservar o governo que lhes dá poder e satisfação de interesses.

O exercício do Bloco de Esquerda, essa extraordinária entidade que o inenarrável Costa abraçou para ser primeiro-ministro, foi exemplar. Mariana Mortágua, no Jornal de Notícias, lembou-nos sobriamente que “a natureza é caprichosa e cruel, sempre foi”. Tais predicados, vindos de quem vêm, surpreendem. A natureza, que agora descobrimos ser dotada de intenções, costuma, na boca de Mariana, ser indefesa vítima de uma longa série de criminosos, sendo o actual máximo responsável do seu sofrimento o inevitável Donald Trump. Hoje não: é cruel e caprichosa. E à sua crueldade e capricho, como responder? Com tempo, diz ela, deixando passar o choque. “O tempo é bom conselheiro, o choque não.” É preciso compreender, e compreender, escreve transparentemente Mariana, não significa “encontrar culpados”.

O mentor político de Mortágua, Francisco Louçã, fala, no Público, da “montanha russa das alterações climáticas” e de Assunção Cristas. São os culpados aparentemente designáveis da catástrofe. E dá-lhe para o existencialismo, lamentando-se da condição humana: “Maldito Sísifo, nem sequer conseguimos por uma vez voltar ao cimo da montanha para parecer que se fez alguma coisa”. É bonito ver um espírito poderoso a reflectir. Aos olhos de Catarina Martins, na Assembleia da República, a dita “montanha russa”, que ela ignora por inteiro o que seja, também é responsável. Ou ouvi mal ou Carlos César, o conhecido amigo da sua família, defende tese idêntica, com idêntica ignorância. O “aquecimento global” hoje em dia dá para tudo. Até para proteger o débil Costa. Uma palavra? Vileza.

Mas voltemos a Darren Osborne, o homem de Londres. Um homem de quarenta e sete anos, dizem os amigos e a família, complexo e torturado, medicamente tratado por problemas mentais, capaz de grande violência quando bebia demais, o que lhe acontecia frequentemente. Depois do último atentado terrorista em Londres desenvolveu um particular ódio em relação aos muçulmanos. Bêbado, meteu-se numa carrinha, fez o trajecto de Cardiff a Londres e dirigiu-se à capital do “Londonistão”, a mesquita de Finsbury Park, cavalgando sobre o passeio, matando um homem e ferindo outros onze. “Vou matar todos os muçulmanos – fiz a minha parte”, consta que gritou. A mãe, ao saber da atrocidade (palavra dela), fez questão de dizer que o crime não tinha defesa, mas que o filho não era um terrorista.

Provavelmente a mãe tem razão. O terrorismo supõe sempre uma motivação ideológica, um corpo de ideias que justifique o crime. Darren Osborne não possuía, aparentemente, um corpo de ideias qualquer, apenas uma vontade indiscriminada de vingança. Um crime de ódio? Sem dúvida. Mas isso não chega para fazer dele o sinal de uma “islamofobia” em tudo simétrica do terrorismo islâmico. Que haja gente assim, em Inglaterra ou noutro qualquer lugar, é óbvio. Que haja pastagens onde o racismo cresça, é certo e seguro. Mas nem em Inglaterra nem na maioria dos países europeus esse é o clima geral. O que, dadas as circunstâncias, diz muito bem de nós.

Resta que a probabilidade de aparecer por aí um outro Darren Osborne, com um nome que pode muito bem ser francês ou alemão, é imensa. Indivíduos desiquilibrados, habitados pelo sentimento que o Estado deixou de os proteger e que é necessário fazer justiça pelas próprias mãos, aparecerão sem dúvida aqui e ali. Tudo conspira para que assim seja. Os bons costumes políticos usam e abusam da litania “não nos dividirão”. Mas o homem de Londres mostrou que essa divisão já está aí, como quase fatalmente tinha de estar, e para muita gente Darren Osborne arrisca-se a aparecer não como um pária mas como um herói. O terrorismo islâmico já conseguiu isso, diga-se o que se disser.

As falhas da política

Martin Krause, professor de Economia da Universidade de Buenos Aires, comenta as diferenças sobre os mercados que funcionam sob as preferências dos indivíduos e aqueles que funcionam sob um governante benevolente. O artigo é inspirado nas ideias de Winston Churchill:


En toda sociedad hacen falta un mecanismo para permitir que se expresen las preferencias de los individuos y señales que guíen a los productores a satisfacerlas. En el caso de los bienes privados, hemos visto cómo el mercado cumple ese papel. También vimos que se presentan problemas para cumplirlo. En el caso de los bienes públicos, es la política: es decir, los ciudadanos expresan sus preferencias por bienes colectivos y hay un mecanismo que las unifica, resuelve sus diferencias (Buchanan 2009) y envía una señal a los oferentes — en este caso las distintas agencias estatales — para satisfacerlas. Como veremos, este también se enfrenta a sus propios problemas. 

El siguiente análisis de las fallas de la política se basa en el espíritu de aquellas famosas palabras de Winston Churchill (1874-1965): “Muchas formas de gobierno han sido ensayadas y lo serán en este mundo de vicios e infortunios. Nadie pretende que la democracia sea perfecta u omnisciente. En verdad, se ha dicho que es la peor forma de gobierno, excepto por todas las otras que han sido ensayadas de tiempo en tiempo”. 

Churchill nos dice que no hemos ensayado un sistema mejor, por el momento, pero que este no puede ser considerado perfecto. Por ello, cuando se ponen demasiadas esperanzas en él, pueden frustrarse, ya que la democracia no garantiza ningún resultado en particular —mejor salud, educación o nivel de vida—, aunque ciertas democracias lo hacen bastante mejor que las monarquías o las dictaduras. Durante mucho tiempo, buena parte de los economistas se concentraron en analizar y comprender el funcionamiento de los mercados, y olvidaron el papel que cumplen los marcos institucionales y jurídicos de los Gobiernos. Analizaban los mercados suponiendo que funcionaban bajo un “gobernante benevolente”, definiendo como tal a quien persigue el “bien común”, sin consideración por el beneficio propio, y coincidiendo en esto con buena parte de las ciencias políticas y jurídicas. Tal como define al Estado la ciencia política, tiene aquel el monopolio de la coerción, pero lo ejerce en beneficio de los gobernados. Por cierto, hubo claras excepciones a este olvido. Inspirados en ellas, autores como Anthony Downs o James Buchanan y Gordon Tullock iniciaron lo que se ha dado en llamar “análisis económico de la política”, en el contexto de gobiernos democráticos, originando una abundante literatura. Su intención era aplicar las herramientas del análisis económico a la política y el funcionamiento del Estado, pues la teoría política predominante no lograba explicar la realidad de manera satisfactoria. 

Uno de los primeros pasos fue cuestionar el supuesto del “gobernante benevolente” que persigue el bien común; porque, ¿cómo explicaba esto los numerosos casos en que los Gobiernos implementan medidas que favorecen a unos pocos? O más aún: ¿cómo explicar entonces que los gobernantes apliquen políticas que los favorecen a ellos mismos, en detrimento de los votantes/contribuyentes? Por último, ¿cómo definir el “bien común”? Dadas las diferencias en las preferencias y valores individuales, ¿cómo se podría llegar a una escala común a todos? Esto implicaría estar de acuerdo y compartir dicha escala, pero el acuerdo que pueda alcanzarse tiene que ser necesariamente vago y muy general, y en cuanto alguien quiera traducir eso en propuestas específicas surgirán las diferencias. Por eso vemos interminables discusiones sobre la necesidad de contar con un “perfil de país” o una “estrategia nacional” que nos lleve a alcanzar ese bien común, pero, cuando se consideran los detalles, los “perfiles de país” terminan siendo más relacionados con algún sector específico o difieren claramente entre sí. 

Los autores antes mencionados decidieron, entonces, asumir que en la política sucede lo mismo que en el mercado, donde el individuo persigue su propio interés, no el de otros. En el mercado, esa famosa “mano invisible” de Adam Smith conduce a que dicha conducta de los individuos termine beneficiando a todos. ¿Sucede igual en el Estado? Se piensa en particular en el Estado democrático, porque se supone que los Gobiernos tiránicos o autoritarios no le dan prioridad a los intereses de los gobernados. 

Algunos economistas intentaron definir ese “bien común” en forma científica, como una “función de bienestar social”, pero sin éxito (Arrow 1951). Además, si hubiese alguna forma de definir específicamente ese bien común o bienestar general como una función objetiva, no importaría si es el resultado de una decisión democrática, de una decisión judicial o simplemente un decreto autoritario que lo imponga. 

Como veremos, al cambiar ese supuesto básico, la visión que se tiene de la política es muy distinta: el político persigue, como todos los demás y como él mismo fuera de ese ámbito, su interés personal. No se puede definir algo como un “bien común”, un resultado particular que sea el mejor, pero sí se puede evaluar un proceso, en el que el resultado “bueno” sea aquél que es fruto de las elecciones libres de las personas. ¿Existe entonces un mecanismo similar a la “mano invisible” en el mercado, que guíe las decisiones de los votantes y las acciones de los políticos a conseguir los fines que persiguen los ciudadanos? Este enfoque, llamado en general “Teoría de la Elección Pública” (Public Choice) se centra en los incentivos. De ahí que también se le conozca como “análisis económico de la política”. (Instituto Cato).

Vende-se tríplex no Guarujá!


Brasil tem os últimos 5 presidentes nas malhas da Justiça. Até agora, só FHC escapou.

O Grotão lulista foi, de fato, governado por gente que merece estar atrás das grades. Post de Augusto Nunes, que, otimista, acha que "o Brasil vai emergir da escuridão muito melhor":


As descobertas da Lava Jato transformaram em casos de polícia o presidente Michel Temer e quatro dos cinco antecessores vivos. Só Fernando Henrique Cardoso ficou fora do pântano onde chapinham Lula, Dilma Rousseff, Fernando Collor e José Sarney, além de mais de 30 ministros ou ex-ministros de Estado, mais de dez governadores, quase 30 senadores, mais de 60 deputados federais e centenas de vigaristas coadjuvantes. Se o Supremo Tribunal Federal cumprir o seu dever com menos lentidão, a turma do foro privilegiado não demorará a engordar a população carcerária.

Já não são poucos os figurões da política transformados em vizinhos de cela de empresários especialistas em bandalheiras. Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e ex-chefe da Casa Civil, tem tempo de sobra para trocar ideias com Marcelo Odebrecht, ex-presidente da usina de propinas milionárias, e João Vaccari, ex-tesoureiro nacional do PT. Perdeu recentemente a companhia de José Dirceu, libertado pela 2ª Turma do STF. Mas não demorará a rever o primeiro chefe da Casa Civil do governo Lula. Também continuam encarcerados os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Alves, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e vários destaques da Turma do Guardanapo.

Retaguarda da estupidez ideológica: oposição cria frente "nacionalista" contra Temer. Traidor Requião no comando.

A ralé bolivariana do Congresso criou uma frente contra o governo Temer, comandada por Roberto Requião (PMDB), a "Maria Louca" do Paraná. Em vez de frente, merecia o nome de retaguarda do atraso:


Do mesmo PMDB do presidente Temer, o senador paranaense Roberto Requião não se constrange em assumir as bandeiras da oposição e, a partir de agora, passa até a ocupar um papel de destaque na briga contra o Planalto. Requião assumiu a presidência de uma frente parlamentar mista em defesa da soberania nacional, lançada ontem (21) a partir de uma proposta do deputado federal petista Patrus Ananias (MG). Para Requião, está ocorrendo uma “desnacionalização do País”, “com a entrega da Petrobras, da Cedae, dos aeroportos, dos satélites”.

No Senado, especialmente a partir do impeachment de Dilma Rousseff, em agosto do ano passado, Requião se aproximou da oposição, encabeçada pelo PT, e se tornou a voz mais crítica da gestão Temer dentro da bancada do PMDB. Não raramente, atua “em dobradinha” com a senadora paranaense Gleisi Hoffmann (PT) durante os discursos de plenário. Integrante do núcleo duro da oposição, a parlamentar foi eleita presidente nacional do PT no início do mês.

A frente mista comandada por Requião tem o respaldo de 219 parlamentares e estabeleceu formalmente oito eixos de atuação. Entre eles estão a defesa da exploração eficiente dos recursos naturais e a defesa do emprego e do salário. Na prática, o grupo deve funcionar como uma pedra a mais no caminho já complicado do presidente Temer. (Leia mais na Gazeta).

O poder de uma toga

José Casado observa, no Globo, que o voto de Gilmar Mendes pode influenciar a maioria no plenário - contra ou a favor dele:


Gilmar Ferreira Mendes completou na quarta-feira uma década e meia no plenário do Supremo Tribunal Federal. No fim da jornada, esse conservador de 61 anos percebeu, mais uma vez, que a toga proporciona muito poder a quem veste, mas nem sempre um juiz pode tudo.

Por ele, na quarta-feira mesmo o tribunal teria assumido o papel de moderador da crise política, confrontando o rumo de investigações sobre corrupção como as que envolvem 2,3 mil políticos em relações incestuosas com os grupos JBS e Odebrecht. Em jogo está a validade de três dezenas de delações vitais nos inquéritos e processos da Operação Lava-Jato e apurações derivadas, como as do setor elétrico que atingem o coração do PMDB do presidente Michel Temer, dos senadores Renan Calheiros, Edison Lobão e Romero Jucá, entre outros, além do PSDB do senador afastado Aécio Neves.

O julgamento será retomado hoje. Já são dois os votos declarados contra a tese defendida por Mendes, o juiz do Supremo com mais visibilidade nos bastidores da política e com um grupo fiel de seguidores nos plenários de tribunais superiores. O desfecho é imprevisível, até porque juízes que já votaram podem mudar de opinião, mas ontem era possível vislumbrar uma tendência de maioria no STF contra ressalvas ou nulidade dos acordos realizados pelo Ministério Público Federal.

Caso a maioria do Supremo tivesse decidido ontem mesmo, questionando os acordos de delação negociados pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, como desejava Mendes, o país acordaria hoje sob efeito de um forte estresse político-judicial. Isso porque teria sido jogada na incerteza o futuro da Lava-Jato e operações derivadas de repressão à corrupção.

Em consequência, teria aumentado o nível de insegurança jurídica numa nação reconhecida pela tradição de impunidade dos dirigentes políticos e cujos tribunais encontram-se, literalmente, soterrados em processos não decididos: quatro em cada dez que habitam as cadeias, todos pobres, são presos provisórios à espera de sentença definitiva; nos protocolos dos tribunais já são 986,7 mil as ações paralisadas à espera de regras de aplicação da “repercussão geral” determinada pelo STF nos mais variados temas.

Ontem, se tudo tivesse saído como esperava Mendes, o Supremo teria replicado o precedente que ele mesmo criou duas semanas atrás, no Tribunal Superior Eleitoral, ao decidir o destino dos réus Michel Temer e Dilma Rousseff, em processo por abuso de poder na eleição presidencial de 2014. Sobre mesa havia um excessivo conjunto de provas, mas o juiz Mendes argumentou que entre a sanção prevista em lei a possibilidade de ampliar a instabilidade política no país, preferia ficar com a circunstância política.

Na essência, o quadro se repete no caso em julgamento no Supremo. A delação do grupo JBS contra o presidente, cinco ministros, quatro governadores, seis senadores e 15 deputados federais, entre outros governantes. No Congresso, entende-se que a nulidade dos acordos de colaboração equivaleria à transformação do Judiciário em virtual poder Moderador, com revogação da autonomia constitucional do Ministério Público. O voto de Mendes, hoje, pode influenciar a maioria no plenário — contra ou a favor dele.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A tentativa esquerdista de reescrever a história dos EUA

Walter Williams, professor e economista norte-americano, critica a tentativa da esquerda de reescrever a história norte-americana. Mutatis mutandi, é o mesmo que faz - nesse caso, com sucesso - a esquerda brasileira, cuja hegemonia sobre o pensamento político-social conduziu ao torpor ideológico que hoje medra na sociedade, a começar pelas escolas e universidades:


George Orwell supo decir:
El modo más efectivo de destruir a un pueblo es negar y demoler la comprensión de su propia historia.
En la ex Unión de Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), la censura, la reconfiguración de la historia y la eliminación de personas indeseables fueron aspectos clave del esfuerzo tendiente a garantizar que el sesgo político e ideológico adecuado fuera insertado en la historia.

La desviación ante la propaganda oficial era reprimida con la prisión o el confinamiento a campos de trabajo forzado y exterminio.

Hoy día, existen esfuerzos tendientes a reescribir la historia en Estados Unidos, amén de que las reprimendas no sean tan draconianas como en la ex URSS.

El alcalde de la ciudad de Nueva Orleans, Mitch Landrieu, ordenó la remoción del monumento al General Robert Lee el pasado mes. El ex alcalde de Memphis, A.C. Wharton, exigió que la estatua del Teniente General confederado Bedford Forrest, así como también las tumbas de Forrest y su esposa, fuesen removidas del parque de la ciudad.

En Richmond, Virginia, han habido pedidos para la remoción de las estatuas en Avenida Monument del presidente de la Confederación Jefferson Davis y de los Generales Robert E. Lee, Stonewall Jackson, y J.E.B. Stuart.

No son solo las estatuas Confederadas las destinatarias de los ataques. Solo por tener el nombre de algún Confederado, como ser la Escuela Secundaria J.E.B. Stuart en Falls Church, Virginia, ello parece motorizar pedidos por un cambio de nombre.

Los reconfiguradores de la historia han logrado un éxito casi completo a la hora de remover la bandera Confederada de sitios cercanos al capitolio nacional y de otros sitios públicos.

La esclavitud es un hecho innegable de nuestra historia. La costosa guerra que fuera peleada para ponerle fin, también es parte de la historia de Estados Unidos. Nada desaparecerá, aunque se promocione una limpieza cultural.

La remoción de estatuas de Confederados y el poner nuevos nombres a edificios públicos son solo una pequeña parte de la verdadera agenda de la izquierda en Estados Unidos.

Thomas Jefferson tuvo esclavos bajo su control, pero cuenta con un monumento en su nombre -el Jefferson Memorial en Washington, D.C. George Washington también tenía esclavos, y también hay un monumento a su nombre – el Monumento a Washington, en Washington, D.C.

¿Acaso las personas que exigieron la remoción de estatuas en Nueva Orleans y Richmond buscará también remover los monumentos de Washington, D.C. que hacen honor a tenedores de esclavos como Jefferson y Washington?

¿Acaso las personas que exigen un cambio en el nombre de la Escuela Secundaria J.E.B. Stuart exigirán también que el nombre de la capital del país se modifique?

Estos referentes de la izquierda podrían, asimismo, exigir que el nombre del sitio donde trabajo -la Universidad George Mason- se cambie. Aún cuando Mason haya sido el autor de la Declaración de Derechos de Virginia, que se convirtiera en parte de la Declaración de Derechos de la Constitución -y tuvo esclavos bajo su tutela.

No muy lejos de mi universidad, queda la Universidad James Madison. ¿Pedirán también que aquella cambie de nombre? Sin importarles que Madison sea conocido como el Padre de la Constitución – y también era dueño de esclavos.

La reconfiguración de la historia estadounidense será desafiante. Solo imagine Ud. la faena que implicaría purificar la moneda de los Estados Unidos.

La efigie del dueño de esclavos George Washington está presente en el billete de un dólar. Jefferson, otro dueño de mano de obra esclava, está en el billete de dos dólares. El poseedor de esclavos General Ulysses S. Grant está en nuestro billete de cincuenta dólares. El rostro de Benjamín Franklin está en el billete de cien dólares.

Los desafíos de reescribir la historia estadounidense sería interminables, yendo más allá de otros desafíos relativamente triviales, como ser hallar nuevos rostros para nuestra moneda. Al menos, la mitad de los 56 firmantes de la Declaración de la Independencia tenían esclavos a su cargo.

Considérese también que prácticamente la mitad de los 55 delegados de la Convención Constitucional de 1787 en Filadelfia tenían esclavos bajo su tutela. ¿Acaso estos hechos invalidan la Constitución de Estados Unidos? ¿Buscarán los reconfiguradores de la historia americana convenir una nueva convención, a los efectos de purgar y purificar nuestra carta magna?

El trabajo de los tiranos nunca llega a su fin. Cuando ellos logran un objetivo, modifican su agenda, para perseguir uno nuevo.

Si los americanos ceden un centímetro ante ellos, éstos avanzarán un metro. Lo cual me lleva a reafirmar: jamás hemos de otorgarles siquiera un centímetro, ya desde el inicio.

Los promotores del odio en Estados Unidos recurren a toda herramienta posible a criterio de consolidar su agenda de descrédito frente a nuestra historia. La porción de la historia americana que versa sobre la esclavitud es, sencillamente, una herramienta conveniente para que esos promotores de odio motoricen su causa. (Libertad.org).

Cuba, uma revolução decrépita e rabugenta.

No Brasil, o castrismo sempre foi guia de Lula e seus asseclas. Cucaracho, o lulopetismo já nasceu obsoleto. A estupidez ideológica passa pela lupa de Percival Puggina:


Em 1959, meus pais vieram morar em Porto Alegre. Aqui estavam as universidades e os melhores colégios públicos que para elas preparavam seus alunos. No topo da lista, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos e seus excelentes professores. Por ali passaríamos os sete irmãos, cada um ao seu tempo. Era impossível, na efervescência intelecto-hormonal e no dinamismo da política estudantil dos anos 60, ficar imune aos debates e às disputas entre as distintas e "sólidas" convicções dos adolescentes às voltas com suas espinhas. Foi nesse ambiente que ouvi, pela primeira vez, afirmações que repercutiriam através de sucessivas gerações de brasileiros: nosso país, a exemplo de outros, era subdesenvolvido por causa do imperialismo norte-americano, do capitalismo, da ganância empresarial e da remessa de lucros para o estrangeiro. Desapropriação e nacionalização compunham palavras de ordem e o fogoso Leonel Brizola se encarregava de agitar a moçada com inflamados discursos a respeito.

Para proporcionar ainda mais calor àquela lareira ideológica, Fidel Castro, montado num tanque, passara por cima dos supostos males causados pela burguesia e - dizia-se - colocava Cuba no limiar do paraíso terrestre. Derrubara uma ditadura e implantava o comunismo na ilha. Cá em Porto Alegre, nos corredores do Julinho, os mais eufóricos desfilavam entoando "Sabãozinho, sabãozinho, de burguês gordinho! Toda vil reação vai virar sabão!". A efervescência tinha, mesmo, incontidas causas hormonais.

Em meados de 2015, o New York Times publicou matéria repercutida pelo O Globo sobre as expropriações e nacionalizações promovidas pela revolução cubana em seus primeiros três anos. Menciona vários contenciosos que se prolongam desde então, envolvendo, entre outros, o governo espanhol, uma entidade representativa dos interesses dos cidadãos espanhóis, os Estados Unidos, bem como empresas e cidadãos norte-americanos e cubanos. Todos tiveram seus haveres confiscados, expropriados e, em muitos casos, surrupiados por agentes públicos. Ao todo, dois milhões de pessoas abandonaram a ilha, deixando para trás seus bens. Muitos, como a nonagenária Carmen Gómez Álvarez-Varcácel, que falou ao NYT por ocasião dessa reportagem, tiveram tomadas as joias de família que levavam no momento em que abandonavam o país. Segundo a justiça revolucionária, tudo era produto de lucro privado e merecia ser expropriado. Quem, sendo contra, escapasse ao paredón, já estava no lucro. Um estudo da Universidade de Creighton fala em perdas de US$ 6 bilhões por parte de cidadãos norte-americanos. As pretensões espanholas chegariam a US$ 20 bilhões.

No discurso da esquerda daqueles anos, e que se reproduz através das gerações, Cuba, tinha, então, o paraíso ao seu dispor. Sem necessidade de despender um centavo sequer, o Estado herdou todo o patrimônio produtivo, tecnológico e não produtivo de empresas privadas e de milhões de cidadãos. Libertou-se a ilha da dita exploração capitalista. O grande vilão ianque foi banido de seu território. Extinguira-se, de uma só vez e por completo, a remessa de lucros. A maldosa burguesia trocara os anéis pelos dedos.Tudo que o discurso exigia estava servido de modo expresso, simultâneo, no mesmo carrinho de chá.

Cuba, no entanto, mergulhou na miséria, no racionamento, na opressão da mais longa ditadura da América, na perseguição a homossexuais, na discriminação racial e na concessão a estrangeiros de direitos que, desde então, recusa ao seu povo. Por outro lado, enquanto, em nome da autonomia dos povos, brigava como Davi com bodoque soviético contra os Estados Unidos, treinava e subsidiava movimentos guerrilheiros centro e sul-americanos, e intervinha militarmente em países africanos a serviço da URSS.

O recente recuo político promovido por Trump nos entendimentos com a alta direção de Castro&Castro Cia. Ltda. leva em conta aspectos que foram desconsiderados por Obama e pelo Papa Francisco, tanto na política interna da ilha quanto nos contenciosos nascidos naqueles primeiros atos da revolução. Não posso ter certeza sobre quanto há de proteínas democráticas na corrente sanguínea de Trump animando essa decisão. Mas não tenho dúvida, porque recebo informações a respeito, que os milhões de cubanos na Flórida conhecem como ninguém a opressão política, a coletiva indigência, a generalizada escassez e a falta de alternativas que sombreia sucessivas gerações de seus parentes sob o jugo de uma revolução velha e velhaca, decrépita e rabugenta. E essa pressão política pesa muito por lá.

São tantas coisinhas miúdas

Coluna de Carlos Brickmann, publicada hoje em diversos jornais (via Chumbo Gordo):


Num dia, tarde da noite, o bandido notório de maior sucesso na história do país telefonou ao líder da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil para marcar uma visita. Ótimo: marcou-se a conversa para a mesma noite. O bandido notório combinou com o líder da quadrilha que usaria nome falso e a visita não entraria na agenda. Se a opinião de um sobre o outro era a que depois declararam, por que um pediu a reunião, por que o outro a aceitou? A história da reunião, da gravação e da entrevista é marcada por pequenos mistérios. Esquisitices – como entendê-las?

No início da conversa gravada de ambos, o líder da quadrilha comenta com seu convidado que há tempos não o via. O bandido notório lembrou um evento em que se encontraram. Mas, na entrevista, o bandido notório diz que o líder quadrilheiro vivia atrás dele para pedir dinheiro. Onde está a verdade? Se o bandido notório mentiu na delação, diz a regra do jogo, perde as vantagens – e que vantagens! Terá corrido o risco? E os 500 mil por semana, durante 20 anos? Terminado o mandato do capo da quadrilha, ele não vai ver um centavo a mais. Sem poder, sem dinheiro. Os dois sabem disso. Não seriam idiotas de propor ou aceitar essa bobagem.

Como compôs Gonzaguinha, e Maria Bethânia interpretou com brilho, essas coisinhas miúdas, tantas delas, vão “roendo, comendo, arrasando aos poucos com o nosso ideal”. Historinhas, “já não dá mais para engolir”.

Grito de alerta

Michel Temer é inocente ou culpado? Isso o Supremo irá decidir. E, no Brasil, só o Capitão Gancho põe a mão no fogo pela inocência de um figurão. Já Joesley confessou; se disse tudo, ou apenas parte, caberá ao Supremo julgar.

Mas é estranho que, tendo multiplicado seus negócios nos 14 anos de Governo petista e neles transformado suas empresas nas maiores do mundo em proteína animal, concentre a maior parte da delação e acusações nos dez meses de Temer. E que, além de delatar, procure dar a maior repercussão possível às acusações, sem que isso lhe renda qualquer vantagem. Passou semanas negociando sua entrevista, com diversos veículos, até escolher quem a publicaria. Por que esse trabalho todo?

Amanhã ou depois

Com a entrega das alegações finais dos advogados de Lula, o juiz Sérgio Moro pode, a qualquer momento, emitir a sentença. Em caso de condenação, dificilmente Lula será preso: há a possibilidade de defender-se em liberdade até o julgamento da apelação pelo Tribunal Regional Federal.

A sentença pode até sair hoje, mas, embora Moro seja conhecido pela rapidez das decisões, o normal é que demore mais de uma semana.

O que é, o que é

Além deste, Lula tem dois outros processos penais na 14ª Vara de Curitiba, do juiz Sérgio Moro. Mas o mais problemático é este que aguarda sentença. Se Lula for condenado, e sua apelação for negada, estará automaticamente proibido de concorrer a qualquer eleição – e, portanto, não poderá disputar a Presidência em 2018. Nos outros dois processos, não há tempo para que seja condenado em segunda instância.

É

No episódio da perseguição ao jornalista Alexandre Garcia no aeroporto de Brasília, noticiou-se que o responsável pelo assédio foi Rodrigo Grassi Cademartori, conhecido pelo apelido de Pilha. O que passou quase despercebido foi o passado do cavalheiro: Pilha (que filmou a perseguição a Alexandre Garcia e a colocou na Internet) já ofendeu o então senador Aloysio Nunes e foi detido por isso, sendo rapidamente solto, hostilizou a blogueira cubana Yoani Sánchez, tentando impedir suas palestras, e comandou a perseguição na rua ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal. Na época, era assessor da deputada petista Erica Kokay.

Não é

Esta coluna errou ao dizer que Mário Covas, quando se opôs duramente à entrada do PSDB no Governo de Fernando Collor, dispunha do poder de governador de São Paulo. Na verdade, Covas dispunha apenas de seu prestígio e boa reputação: ainda não tinha sido eleito governador.

Sangrando

Lula, líder de um dos maiores partidos do país, sob ameaça de condenação. O PSDB, um dos maiores partidos do país, enfrenta problemas internos com grupos que querem afastá-lo do Governo. O PMDB, um dos maiores partidos do país, ocupante da Presidência da República, luta para manter o mandato ameaçado de Temer.

Pois nada disso afeta nossos parlamentares: depois da semana folgada com desculpa do feriado de Corpus Christi, nesta semana o expediente termina mais cedo, por causa das festas juninas. Nesta quarta, o expediente termina às 15h, para que Suas Excelências possam pegar um voo mais cedo. Folgam até a terça que vem.

Reformar o quê, como, para quê?

Para o cientista político Bolívar Lamounier, "esse Congresso" e "esses partidos" tornam necessárias a alavanca do parlamentarismo. Artigo publicado no Estadão, observando que o sistema presidencialista é o grande problema:


O debate sobre a reforma política arrasta-se desde a Constituinte (1987-1988) e do plebiscito de 1993 sobre o sistema de governo, com resultados práticos assaz limitados. Todo ano, aí por volta de abril, o Congresso Nacional ressuscita a questão, para gáudio do jornalismo político e dos cultores acadêmicos da matéria.

Esquematicamente, creio poder afirmar que esse ciclo anual se repete com uma notável falta de clareza quanto ao que precisa ser reformado e aos objetivos mais amplos, direi mesmo estratégicos, de uma eventual reforma. Ao longo do tempo, essas duas carências foram agravadas por um retrocesso na discussão do modus faciendi – ao “como” da reforma. Em nome do realismo, convencionou-se que a reforma haveria de ser “fatiada”, minimalista, conceito válido enquanto referência às dificuldades de aprovação no Congresso, mas que obviamente prejudica a reflexão de substância quanto ao “quê” e ao “para quê” reformar. Sem esquecer que mesmo as finas fatias que começaram a ser cogitadas desde a segunda metade dos anos 1990 não percorreram com a suavidade esperada o trato digestivo dos senhores senadores e deputados.

Neste ano da graça de 2017, a discussão retorna envolta em espessas nuvens escuras. Seu objeto já não é a uma conjuntura de instabilidade institucional considerada em abstrato, mas uma instabilidade real batendo às nossas portas. Tampouco se trata de uma situação de ineficácia governamental crônica – de “ingovernabilidade”, no jargão dos cientistas políticos –, considerada em tese, mas dos graves danos infligidos ao País pelo governo da senhora Dilma Rousseff, da inacreditável perda de tempo exigida pelo impeachment e dos riscos que se perpetuam em razão da debilidade do governo Temer. Quase três anos de recessão e o assustador aumento do número de desempregados parece ainda insuficiente para os dirigentes políticos e os quadros formadores da opinião nacional encararem com seriedade a questão da reforma.

Reformar o quê? Depois da tragicomédia do impeachment de Dilma Rousseff e do mero fato de se haver cogitado da antecipação das eleições de 2018, parece-me fora de dúvida que o cerne da questão é o sistema presidencialista de governo. O traço essencial desse sistema é, como sabemos, a rigidez. Do ponto de vista institucional, o Legislativo e o Executivo, eleitos em separado, com base em princípios distintos, nada devem um ao outro. Salvo o amargo remédio do impeachment, que inevitavelmente envolve o processo político num cipoal jurídico apenas acessível aos especialistas, um Poder não tem como influir sobre o outro. Inexiste base constitucional para tanto. Assim, seja qual for o tamanho do desastre causado por qualquer dos dois, ou por ambos, eventuais crises só podem ser superadas pela passagem do tempo. Não por ações e negociações políticas, mas pelo estrito formalismo do calendário nacional. O resto é golpe.

Essa, exatamente, é a situação em que o Brasil se encontra e que, a rigor, teve início já nas primeiras semanas do segundo mandato da senhora Rousseff. No sistema parlamentarista, o chefe de governo (primeiro-ministro) que não disponha de apoio congressual para governar pode ser afastado a qualquer tempo, tenha ou não cometido crime de responsabilidade. E a recíproca é verdadeira. Uma legislatura que se recuse a colaborar com o Executivo, aprovando em tempo razoável medidas de alta relevância para a sociedade, pode ser dissolvida, com a convocação de eleições parlamentares antecipadas. O Executivo dispõe, portanto, de uma alavanca poderosa para resolver impasses, evitando que os congressistas transformem diferenças razoáveis de avaliação num jogo estéril, num desperdício de tempo que o país não pode tolerar.

Deixei propositalmente de lado o problema do chamado “presidencialismo de coalizão”. Num quadro como o nosso, de proliferação partidária desordenada, é praticamente nula a chance de o Executivo formar uma base de apoio com duas ou três agremiações; se o maior partido dispõe de apenas cerca de 20% das cadeiras legislativas, o presidencialismo será inevitavelmente “de coalizão”. Os absurdos que tal condição implica aí estão, à vista de todos. Idealmente, portanto, a eventual adoção do parlamentarismo deve associar-se a uma freada enérgica na proliferação. Mas não concordo com a afirmação de que o conserto da estrutura partidária seja uma precondição para a mudança do sistema de governo. De fato, é comum ouvir que o parlamentarismo não pode ser implantado “com esse Congresso”, ou “com essa estrutura partidária fragmentada”. Ora, nas condições brasileiras, o que torna as alavancas parlamentaristas necessárias e urgentes é justamente o fato de termos “esse Congresso” e “esses partidos”, travas que o sistema presidencialista não tem como romper.

Reformar para quê? Aventuro-me a afirmar que a instabilidade do regime constitucional, risco intensamente considerado pelos constituintes de 1987-1988, já não é uma ameaça grave no Brasil. Muito mais séria é a ineficácia ou baixa eficiência do processo decisório (o risco da “ingovernabilidade”) – como o evidencia o sofrido andamento das reformas trabalhista e previdenciária no Congresso. Nunca é demais lembrar que o Brasil é um dos países aprisionados no que os economistas chamam de “armadilha da renda média”. Refiro-me aqui a países que chegaram até com certa facilidade ao patamar de 10 mil ou 12 mil dólares de renda anual por habitante, mas não conseguem pular para os 20 ou 25 mil, nível ainda modesto, característico dos países mais pobres da Europa, como Grécia e Portugal.