sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Rainha dos privilégios: Dilma furou fila do INSS para se aposentar um dia depois do impeachment.

Dilma, a tirana búlgara que desempregou milhões de trabalhadores, gosta mesmo é de privilégios. Documentos obtidos pela revista Época mostram que o cadastro da ex-presidente foi alterado 16 vezes na sede do INSS, onde um ex-ministro foi para garantir pensão sem agendamento. 


Às 15h05 do dia 31 de agosto, Dilma Rousseff assinou o documento que a notificava que o Senado havia aprovado sua destituição da Presidência da República. Terminavam ali, oficialmente, seus cinco anos e oito meses de gestão e pouco mais de 13 anos em cargos no governo federal. Menos de 24 horas depois do impeachment, um de seus aliados mais próximos, o petista Carlos Eduardo Gabas, entrou pelos fundos da Agência da Previdência Social do Plano Piloto, na Quadra 502 da Asa Sul de Brasília. Acompanhado de uma mulher munida de uma procuração em nome de Dilma, Gabas passou por uma porta de vidro em que um adesivo azul-real estampava uma mão espalmada com o aviso: “Acesso apenas para servidores”.

Mas Gabas podia passar. Não estava ali apenas como funcionário de carreira da Previdência, mas como ex-secretário executivo e ex-ministro da Previdência do recém-encerrado governo Dilma, como homem influente na burocracia dos benefícios e aposentadorias entre 2008 e 2015. No papel agora de pistolão, Gabas subiu um lance de escadas até uma sala reservada, longe do balcão de atendimento ao público, onde o esperava o chefe da agência, Iracemo da Costa Coelho. Com a anuência de outras autoridades do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o trio deu entrada no requerimento de aposentadoria da trabalhadora Dilma Vana Rousseff. Foi contabilizado um tempo de contribuição previdenciária de 40 anos, nove meses e dez dias. Quando Gabas saiu da sala, Dilma estava aposentada, com renda mensal de R$ 5.189,82, teto do regime previdenciário.

Tal celeridade poderia ser o triunfo de uma burocracia ágil e impessoal, implantada pelo governo Dilma. Mas não. O tempo médio de espera para que um cidadão consiga uma data para requerer aposentadoria em uma agência da Previdência é de 74 dias, segundo informações do INSS – 115 dias no Distrito Federal, onde o pedido de Dilma foi feito. Não há rastro de agendamento no sistema do INSSpara que Dilma (ou alguém com uma procuração em seu nome) fosse atendida naquele 1º de setembro ou em qualquer outra data. O tratamento dispensado a Dilma foi, portanto, apenas um episódio de privilégio, obtido por meio de atalhos proporcionados por influência no governo.

A aposentadoria veio em boa hora. Naquele dia, Dilma perdeu o salário mensal de R$ 30.900 de presidente da República. Era preciso correr. Ninguém melhor do que Gabas que, além de influente no INSS, é um amigo de Dilma, que gosta de velocidade. Motociclista militante, ele levou Dilma algumas vezes para passear em sua Harley Davidson. Os passeios terminaram em 2015, quando a então presidente queimou a perna ao descer da garupa.

Dilma e Gabas afirmam que não houve nenhum privilégio ou tratamento diferenciado e que a ex-presidente já poderia ter se aposentado há dez anos. Dizem que o atendimento em uma sala reservada foi uma decisão do chefe da agência, que quis participar. Afirma ainda que o agendamento havia sido feito “meses” antes, que um pedido de alteração havia sido feito e que o atendimento “ficou para esta data”, exatamente um dia após o impeachment. Não explica, no entanto, por que não há registro desses agendamentos no sistema do INSS.

A aposentadoria-relâmpago de Dilma vinha sendo articulada com discrição no INSS havia meses, em um procedimento fora dos padrões, também sem agendamento. Em 10 de dezembro de 2015, oito dias depois que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro, anunciou que havia aceitado o pedido de impeachment da presidente, o cadastro trabalhista de Dilma foi refeito do zero no sistema do INSS. Naquele dia, entre 8h42 e 18h43, foram registradas 16 alterações na ficha laboral de Dilma, homologadas por uma única servidora, Fernanda Cristina Doerl dos Santos, que exercia uma função gratificada na Diretoria de Atendimento do INSS, na sede do órgão em Brasília – não em uma agência de atendimento.

Fernanda afirma que o procedimento foi o mesmo aplicado a qualquer cidadão. Ao longo daquelas dez horas, foram validados, alterados e excluídos vínculos trabalhistas desde 1975, que contariam para o cálculo de anos trabalhados por Dilma na concessão de sua aposentadoria, nove meses depois. O artifício foi classificado como “incomum” ou “excepcional” por três auditores e técnicos da Previdência consultados por ÉPOCA. Sobre as 16 alterações em sua ficha, Dilma afirma que havia constatado “pendências no cadastro” e, depois de apresentar documentos para a regularização dessas pendências, os registros foram atualizados. O presidente do INSS, Leonardo Gadelha, afirma que determinou a averiguação dos fatos. O INSS confirma que não houve agendamento para os atendimentos de dezembro e 1º de setembro. Todas as alterações no cadastro foram homologadas a partir da apresentação de documentos oficiais ou certidões emitidas pelos empregadores de Dilma – entre eles a Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Hauser, onde começou a trabalhar. Uma coisa estava certa: pelas regras atuais, Dilma tinha tempo suficiente para se aposentar.

Uma obra monumental: a Bíblia traduzida do grego.


Do jornal Público (Portugal): Frederico Lourenço passou dos clássicos gregos para a Bíblia grega, tarefa grandiosa que faz emergir uma série de questões. É a mais completa tradução da Bíblia que alguma vez foi feita. Diz que não disfarçou as frases incômodas, não limou as arestas, nem as passagens misóginas e homofóbicas. É uma Bíblia que "não esconde as realidades inconvenientes". 


Frederico Lourenço lançou-se sozinho num empreendimento que, pela sua grandeza, foi muitas vezes resultado de um trabalho de equipa: a tradução, do grego, dos 80 livros da Bíblia, o Velho e o Novo Testamento, oferecendo a mais completa tradução da Bíblia que alguma vez foi feita em língua portuguesa. O primeiro volume, contendo os quatro evangelhos, de Mateus, Marcos, Lucas e João, acaba de ser editado. A este seguir-se-ão mais cinco volumes, com os quais se completará a tradução integral da Bíblia Grega.

E, de repente, este trabalho grandioso veio colocar questões e trazer ao conhecimento público aspectos e circunstâncias históricas da tradução, da recepção e das várias versões da Bíblia que ficaram quase sempre reservados aos eruditos dos estudos bíblicos. O ofício catequético da Igreja Católica nunca favoreceu um conhecimento da Bíblia que não fosse a do Livro onde se derramou, para sempre, a palavra imutável de Deus. A Bíblia como um livro plural, não homogéneo, polifónico, escrito ao longo de um arco temporal que perfaz mais de mil anos, em várias línguas e em diferentes estados da mesma língua, irredutível a uma unidade a não ser pelas leituras e interpretações fixadas no cânone doutrinário, eis uma imagem e uma concepção que a confessionalidade consegue esconder ou anular.

Frederico Lourenço não é padre nem teólogo, é um helenista e tradutor de alguns clássicos gregos (são bem conhecidas as traduções que fez da Odisseia e da Ilíada, que a editora Cotovia publicou); não faz parte de nenhuma Igreja, é um universitário (da Universidade de Coimbra), tem formação filológica completada com outras vocações.


E isso mesmo faz ele questão em sublinhar, ao responder a uma questão que lhe pusemos: “Parto de um pressuposto não-teológico, mas ao mesmo tempo de uma predisposição de simpatia em relação ao cristianismo. Do mesmo modo que, na tradução do Antigo Testamento, parto de uma predisposição de simpatia em relação ao judaísmo. Mas essa simpatia não me inibe de fazer introduções, notas e comentários ao texto bíblico que focam de uma maneira desassombrada as contradições que são inerentes aos textos, as suas discrepâncias, os seus anacronismos mal disfarçados, a sua incompatibilidade com algumas realidades históricas.”

Porquê do grego?

Leia-se, neste primeiro volume, a apresentação, a introdução e o extenso aparelho de notas para percebermos imediatamente que esta Bíblia é obra de um tradutor e de um estudioso que trata o texto sagrado como tratou os textos profanos. Falando-nos sobre isso, ele esclarece: “Não há nada de ofensivo para católicos na minha tradução da Bíblia, mas há uma clara linha não confessional que assumi de forma consciente. Não me deixei condicionar por nada daquilo que são as convenções aceites na tradução do Novo Testamento, quer católicas, quer protestantes. Ative-me apenas à materialidade linguística do texto. Não disfarcei as frases incómodas, não limei as arestas, não escondi realidades inconvenientes.”

“Na minha tradução lê-se ‘escravos’ e não ‘servos’ ou ‘criados’; também não disfarcei as passagens misóginas e homofóbicas de Paulo. Mas, por outro lado, as traduções existentes são desnecessariamente androcêntricas, sobretudo em passagens em que a palavra ‘homens’ significa, na realidade, ‘pessoas’. Acho que a mais-valia da minha tradução é justamente o facto de estar fora do catolicismo, mas não contra o catolicismo.” Demos um exemplo eloquente: S. Jerónimo, autor da tradução latina da Bíblia que se tornaria a Vulgata aprovada pela Igreja, traduziu com a palavra “peccatum” uma das palavras mais comuns e importantes da liturgia, uma palavra grega que significa “erro”. E é assim que Frederico Lourenço a traduz muitas vezes (não de maneira sistemática, por razões que ele explica na Introdução). “Erro”, em vez de “pecado”, não é certamente assimilável à liturgia da Igreja Católica.

Esta tradução, explica, “é um trabalho de rigor, de literalidade, de captação do sentido original da forma mais próxima possível, tenta dar a ler o grego tal como ele é”. Mas ela tem um efeito já bem visível nos primeiros actos públicos da sua recepção, na medida em que nos obriga a fazer perguntas e a pedir esclarecimentos sobre aspectos que quase nunca emergem na transmissão corrente do texto bíblico. A primeira pergunta que o público leigo fez foi esta: porquê a tradução de uma Bíblia integralmente grega? Afinal, em grego não foram escritos apenas os livros do Novo Testamento e uns poucos livros – sete, ao todo – do Antigo Testamento? Tudo o resto, que é muito, não foi escrito em hebraico? Porquê fazer a tradução de uma tradução, isto é, a tradução da tradução grega dos originais hebraicos? Para responder a esta pergunta é preciso contar a história da Bíblia Grega, tal como ela nasceu no Egipto, na cidade de Alexandria, no século III a.C.

Essa história (que Frederico Lourenço narra na Apresentação) foi conhecida através de uma carta que data de cerca do ano 100 a.C., enviada por um tal Aristeas ao seu irmão Filócrates – carta que chegou até nós graças às citações que dela foram feitas por, entre outros, Fílon de Alexandria e Santo Agostinho. Por ela, ficou-se a saber que 72 sábios judeus – daí a denominação "Bíblia dos Setenta ou Septuaginta") foram convidados pelo rei Ptolemeu Filadelfo para traduzir em grego os livros da Lei, ou Torah (ou seja, o Pentateuco, os cinco primeiros livros). Essa tradução promovida pelo rei Ptolemeu respondia às necessidades e exigências da comunidade judaica de Alexandria, que não conhecia a língua hebraica. O que aconteceu em Alexandria é geralmente considerado um facto extraordinário, porque mostra o encontro da cultura helénica com o património do judaísmo. A fé bíblica e o pensamento grego: este encontro evoca a mais ampla e profunda experiência da cultura ocidental, indicada geralmente pelo nome de duas cidades, Atenas e Jerusalém.

A Bíblia Grega, para além dos livros do cânone hebraico, integra também as obras deuterocanónicas e algumas que não fazem parte do cânone católico. A Septuaginta não foi uma (a primeira, aliás) entre muitas outras traduções da Bíblia, já que teve um papel importantíssimo para a Igreja das origens, nos primeiros séculos do cristianismo. O Novo Testamento usou esta tradução para as suas citações bíblicas e transmitiu-a à posteridade. A Bíblia Grega era a Bíblia da Igreja cristã. Até entrar em cena a Vulgata latina de S. Jerónimo, todas as traduções do Antigo Testamento eram baseadas não na Bíblia hebraica, mas na Septuaginta, que Santo Agostinho considerou inspirada (a inspiração é um conceito teológico que se refere às obras dos homens – neste caso, as Escrituras – que receberam uma supervisão especial do Espírito Santo, de modo a exprimir a revelação de Deus). Importa dizer que não nos chegou o texto original de onde foi feita a tradução pelos setenta sábios judeus, a chamada "Vorlage" (uma palavra alemã), e que o texto grego ajudou muitas vezes a reconstruir o texto hebraico original. 

O sagrado e o profano

Jerónimo introduziu o conceito de hebraica veritas, a verdade hebraica, que significou um programa de correcção dos textos latinos correntes (e sujeitos a traduções adulteradas) com base no texto hebraico. Agostinho, pelo contrário (e este foi um motivo da importante discussão que teve com Jerónimo), defendia o texto grego. A polémica questão da helenização da Bíblia, que tem o seu motivo mais forte e inaugural na Bíblia dos Setenta, atravessa os séculos e chega até nós. Em França, Henri Meschonnic traduziu alguns livros da Bíblia com o explícito propósito de “des-helenizar” a Bíblia. Para ele, a versão grega dos Setenta não é concebível como um texto judaico, escrito por judeus e para judeus inseridos num meio judeu. No fundo, ele não aceita o grego como língua bíblica e toma partido pelos textos hebraicos, os textos massoréticos.

Referi brevemente o exemplo de Meshonnic porque se trata de um tradutor (e de um importante teórico da tradução e da literatura, já falecido) que deu origem a fortes polémicas, mostrando como neste território bíblico se erguem por todo o lado campos de batalha. Não se julgue, pois, que a tradução da Bíblia Grega por Frederico Lourenço é um passeio – grandioso, é certo – por campos pacíficos e harmoniosos.

Para já, podemos afirmar que ela tem um efeito muito importante e altamente meritório: sendo feita por um universitário helenista e tradutor da literatura grega, exibe um frutuoso campo de colaboração e de coincidência entre os estudos clássicos e os estudos da Bíblia, entre a filologia dos textos sagrados e a filologia dos textos profanos. Deste modo – e todo o aparato crítico das notas, dos comentários e das introduções confirmam e reforçam esta perspectiva – Frederico Lourenço afasta aquela ideia muito catequista, muito apologética, muito subtraída a qualquer démarche crítica, de que a Bíblia é um supertexto, ou um texto que está acima de todos os textos, para além da materialidade textual e da condição linguística e literária, para além de todas as investigações históricas, filológicas e arqueológicas. Sabemos como esta ideia, que só quer ver no texto bíblico uma verdade fixada como livro único e eterno que transcende a sua materialidade e a história das suas leituras, das suas traduções e dos seus usos, foi mesmo responsável por pesadas restrições à leitura da Bíblia e à sua tradução em “línguas vulgares”.

Frederico Lourenço não quis apagar o texto para restituir apenas o sentido, como fizeram os tradutores da tradição cristã. Mas também não quis fazer o oposto: uma tradução de escritor, uma “tradução poética”, como Meschonnic, obcecado pelo ritmo e pelo significante. À questão que lhe colocámos sobre o carácter literário da tradução da Bíblia respondeu: “Não vejo a tradução de obras como a Odisseia ou a Bíblia como acto literário. Nunca tomo nenhuma opção só para o texto ficar bonito em português. Às vezes o texto até fica estranho: isso vale tanto para as minhas traduções de Homero como do Novo Testamento. Mas se as frases são estranhas no original, a tradução tem de espelhar isso. Sou contra passar todas as rugas a ferro.”

Outro efeito da tradução da Bíblia por Frederico Lourenço é o de mostrar que as traduções sucessivas não se anulam, mas acrescentam-se, ao longo de um processo que começou com a Bíblia Grega; e que a Bíblia não existe senão pela história das suas traduções, por mais que essa história surja obliterada pelos guardiães de uma concepção da verdade bíblica como palavra refractária a toda a tradução.

Hobbes tinha razão: o homem é o lobo do homem.

Os humanos são predispostos a matarem uns aos outros, segundo estudo publicado na revista Nature. As instituições construídas ao longo da civilização, entretanto, tendem a modular essa violência congênita. Haja lei, haja cadeia:


Os seres humanos são predispostos a matarem-se uns aos outros, mostra um novo estudo publicado na revista científica Nature. Cientistas espanhóis que analisaram centenas de outros estudos e compilaram dados históricos mostraram que não são apenas os seres humanos que têm uma tendência para matar membros da mesma espécie: o mesmo sucede com os primatas. E estimaram que 2% das mortes humanas e dos grandes primatas têm como origem a violência entre comunidades ou no seio dessas comunidades.

O El País afirma que os autores do estudo analisaram dados relativos a 1.024 espécies de mamíferos (abrangendo 137 famílias de animais) durante dois anos. Os investigadores compilaram também informação sobre mortes em conflitos em 600 civilizações humanas, recuando até há 50 mil anos assim englobando o que sabemos das sociedades pré-históricas.


No jornal britânico The Guardian, Mark Pagel, um professor na Universidade de Reading que não está envolvido neste estudo, explicou que este trabalho comprova que “os seres humanos evoluíram estratégias para resolver problemas com a violência”. Ou seja, a ideia de que o homem é um lobo para o próprio homem — homo homini lupus est na famosa formulação de Thomas Hobbes, o autor de Leviatã — é verdadeira, mesmo tendo sido possível detetar que a nossa predisposição congénita para a violência pode ser modulada pelas sociedades e civilizações.

De facto os autores também mostram que a organização da sociedade, a existência de lei e de forças capazes de impor o respeito por essas normas, pode moderar a forma como os seres humanos são agressivos. Para José María Gómez não se pode afirmar que os 2% de mortes violentas que a sua equipa detetou se devem exclusivamente a fatores genéticos, pois existe outros elementos que afetam esta tendência, como “as condições ambientais e restrições ecológicas”. Em concreto, “a violência tem uma componente evolutiva, está nos nosso genes, mas isso não significa que existe um determinismo genético”.

Mark Pagel considera no entanto que é importante sublinhar que as adaptações genéticas selecionadas ao longo de milhões de anos de evolução dos mamíferos, depois dos primatas e, por fim, da nossa própria espécie têm uma evidente responsabilidade nas tendências detetadas neste estudo. Este professor de biologia evolutiva defende que os primatas expressam “níveis relativamente elevados de violência mortal” quando comparados com outros mamíferos, por exemplo. O mesmo cientista sublinha contudo que os níveis de violência entre os seres humanos têm sofrido alterações ao longo do tempo, mas que estes cálculos confirmam a sua hipótese, sendo que o valor de 2% corresponderia ao homem pré-histórico. Entre os séculos X e XV esse valor foi mais elevado (pode ter chegado a 12%), mas diminui bastante nos últimos séculos.

O estudo foi também elogiado por Steven Pinker, um psicólogo evolutivo que publicou alguns livros em que discute precisamente o tema da violência inata na nossa espécie, nomeadamente The Blanck Slate e The Better Angels of Our Nature. Trata-se, para ele, “de uma análise criativa e minuciosa, e no essencial consistente com a minha visão da história da violência”, isto é, de que a violência tem vindo a diminuir com a evolução da civilização moderna e que vivemos hoje num tempo que e um dos menos perigosos para a nossa integridade física. “Teria gostado imenso que este estudo já tivesse sido publicado quando escrevi o meu último livro”, acrescentou Pinker: “O que procurei mostrar em The Better Angels of Our Nature aparece aqui sustentado com muito mais rigor, precisão e profundidade”.

Sendo certo que há muitos outros animais para além do homem que matam membros da sua própria espécie, sobretudo quando se trata de espécies sociais e territoriais, o que Pinker defende e este estudo reforça é que as instituições que criámos nos últimos séculos e as leis que desenvolvemos têm conseguido mitigar a nossa violência congénita. Afinal, hoje somos menos lobos para os outros homens do que no tempo de Thomas Hobbes. (Observador).

Palocci permanecerá atrás das grades por tempo indeterminado

O juiz Sérgio Moro acatou o pedido do MPF e da PF. Tanto Palocci quanto seu assessor permanecerão presos por terem ocultado elementos úteis à investigação. Que fiquem em Curitiba por muito tempo:


O ex-ministro Antonio Palocci e seu assessor Branislav Kontic tiveram prisão temporária convertida em prisão preventiva, por tempo indeterminado, pelo juiz Sérgio Moro. Os dois estão desde a última segunda-feira na sede da Polícia Federal em Curitiba, quando foram presos na 35ª Fase da Lava-Jato, a Operação Omertá.

Moro decidiu pela preventiva depois que o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que desktops foram retirados da sede da empresa de Palocci, a Projeto, e que o fato é indicativo de que Palocci e Kontic ocultaram elementos úteis à investigação. Quando os policiais federais chegaram, encontraram as mesas apenas com monitores, móveis e teclados. Os fios dos desktops estavam desconectados. Ouvido pela PF, Kontic teria dito que os desktops foram retirados por serem antigos, mas os procuradores argumentaram que as imagens registradas pela PF indicam que os equipamentos eram "bastante novos e em ótimo estado".

O MPF afirmou ainda que há provas de que Palocci recebeu R$ 32,7 milhões em dinheiro em espécie, com entregas que relacionam a planilha “Italiano”, da empreiteira Odebrecht. Os procuradores dividiram as entregas em três lotes: R$ 16,2 milhões, divididos em 17 entregas de recursos em espécie entre julho e setembro de 2010; R$ 15 milhões em nove entregas entre outubro e novembro do mesmo ano e R$ 1,5 milhão vinculado a pessoa identificada pelo codinome “Menino da Floresta” na planilha da empreiteira.

Além disso, ao confrontar a planilha "Italiano" com extratos da conta ShellBill, que pertence ao marqueteiro do PT João Santana e à mulher dele, Mônica Moura, o MPF diz ter sido possível identificar depósitos de US$ 11,7 milhões feitos pela Odebrecht por meio da offshore Innovation Research entre julho de 2011 a maio de 2012.

Ao pedir a prisão preventiva, o delegado Hille Pace também havia reforçado, num documento de 86 páginas, as suspeitas de que Palocci fazia a ligação entre o PT e a empreiteira Odebrecht, intermediando assuntos de interesse da empreiteira. Segundo as investigações, o valor alcançaria R$ 128 milhões. Nesta semana, o Banco Central bloqueou, a pedido de Sergio Moro, quase R$ 31 milhões das contas pessoal e da empresa de Palocci. (O Globo).

Estupidez ideológica lulopetista: os bodes de Boff.

O ex-frei Leonardo Boff, que não passa de um embromador e oportunista, andou dizendo que Lula e Dilma são bodes expiatórios que sofrem bullying político e social. O cego ideológico - amante das ditaduras socialistas, como seu ex-colega Frei Betto - recebeu uma boa resposta de Paulo Bressane no jornal O Tempo, de Belo Horizonte:


Não é perseguição a Leonardo Boff, pois também poderia comentar as missivas de outros colunistas de esquerda, geralmente limitados por sua cegueira ideológica, mas cito Boff por ser um dos expoentes da esquerda retrógrada. Aqui mesmo, na pluralidade editorial de O TEMPO, leio um petista dizendo que marginalizamos Lula porque ele “permitiu que os filhos de trabalhadores se tornassem doutores, porque acabou com a fome no país e inaugurou a era dos direitos para os inquilinos da senzala”. É a mesma retórica vazia e mentirosa de sempre, que mesmo sendo facilmente desmascarada pela realidade dos números, continua sendo amplamente usada em prol de um plano de poder frustrado. Mas voltando ao título da coluna, em sua última coluna Boff disse que o PT, Dilma e Lula são os bodes expiatórios da vez, e por isso estão sofrendo bullying político e social.

BOFF AINDA NÃO PERCEBEU que os bodes expiatórios apontados por ele só existem na cabeça dos esquerdistas, devido a sua desavergonhada capacidade de tergiversar e vergonhosa incapacidade de aceitar os fatos. Ao citar uma obra do filósofo René Girard, cujos bodes expiatórios seriam vítimas inocentes, Boff não percebe que a grande vítima desta gigantesca tramoia política de bandeiras vermelhas é a sociedade verde e amarela. Diz ele que nos esquecemos de todos os acertos petistas, em especial a transformação do país, que tirou 40 milhões de pessoas da pobreza. Talvez Boff não saiba, mas esta foi a maior carona que o PT pegou no espantoso crescimento mundial, acontecido justamente durante os governos Lula. Na realidade, a desigualdade começou a cair antes da era Lula, que por sua vez obteve sucesso porque deu continuidade aos feitos de FHC. Não sou eu quem diz, são os números.

VALE LEMBRAR que o percentual de pessoas que ascenderam socialmente no Brasil foi muito parecido com o dos demais países emergentes do mundo, mas, como de praxe, o marketing petista puxou a sardinha só para si. Boff disse ainda que ao colocar toda a culpa sobre o PT, os grupos dominantes ocultam sua própria perversidade. Certo, mas quais são os tais “grupos dominantes”? Se ele se refere a uma parcela dos demais partidos políticos, eu concordo, se forem os empresários que aderiram ao jogo de poder para obter benefícios mútuos, também concordo, mas, por favor, Boff, não coloque neste balaio a sociedade produtiva, que trabalha incansavelmente para sustentar uma cambada de parasitas. Alô manifestantes de esquerda, já que a boquinha acabou, saibam que só existem dois caminhos para diminuir a pobreza, a educação e o fortalecimento da economia privada.

PF e Procuradoria querem prisão de Palocci por tempo indeterminado. Motivo: destruição de provas.

O ex-ministro Antonio Palocci, preso desde segunda-feira, deverá ficar atrás das grades por mais tempo. Age, de fato, como um mafioso:


O delegado da PF Filipe Hille Pace, da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, pediu nesta sexta-feira, 30, ao juiz Sérgio Moro a conversão da prisão temporária do ex-ministro Antonio Palocci e de seu braço direito Branislav Kontic em preventiva – por tempo indeterminado. O pedido foi endossado pelos treze procuradores da força-tarefa da operação em Curitiba.

Palocci foi preso na Operação Omertà na segunda-feira, 26, por suspeita de recebimento de propinas da Odebrecht.

No pedido de 86 páginas, o delegado reforça as suspeitas de que Palocci atuava como um elo do PT com a Odebrecht, intermediando assuntos de interesse da empreiteira, e afirma ainda haver indícios de que o ex-ministro teria recebido todos os valores ilícitos lançados nas planilhas da Odebrecht que fazem referência a “Italiano” e somam R$ 128 milhões.

O delegado aponta também que o ex-ministro teria orientado a destruição de provas em sua empresa de consultoria Projeto antes da Operação Omertà, deflagrada na segunda-feira, 26, e que teve o ex-ministro como alvo maior. O entendimento foi reforçado pelos procuradores da força-tarefa da operação, que encaminharam a Moro um pedido endossado as solicitações da PF.

“Tais vantagens, em sua grande maioria traduzidas em dinheiro em espécie, ainda não foram rastreadas a partir desta investigação, motivo pelo qual não existe qualquer medida cautelar diversa da prisão que inviabilize Antonio Palocci Filho e Branislav Kontic – seu funcionário até a presente data – de praticarem atos que visem a ocultar e obstruir a descoberta acerca do real paradeiro e emprego dos recursos em espécie recebidos”, afirma o delegado.

Filipe Pace aponta que, nas buscas realizadas na Projeto, empresa de consultoria do ex-ministro sediada em São Paulo que foi alvo da Omertà, os agentes da PF identificaram suspeita de que Palocci e seu assessor teriam atuado para destruir provas.

“Foram constatadas que diversas estações de trabalho na empresa (Projeto) estavam plenamente equipadas, à exceção dos gabinetes dos computadores, o que pode indicar que tenham sido até mesmo destruídos ou colocados fora do alcance da Polícia Federal.”

Ao endossar o pedido do delegado, os procuradores destacam que o escritório da empresa de Palocci, a Projeto Consultoria, em São Paulo, “era um dos principais locais utilizados para encontros e tratativas espúrias, conforme demonstrado nos e-mails e registros de reuniões”. Para a força-tarefa, o fato é “extremamente grave” e “constitui circunstância totalmente nova, surgida no cumprimento das buscas e apreensões, e que, portanto, não havia sido avaliada quando da decretação da prisão temporária”.

Em relação ao ex-assessor de Palocci, Juscelino Dourado, Filipe Pace afirmou que “parece ele não ter mais relações com Antonio Palocci” e que, portanto, não haveria risco caso ele fosse solto e cumprisse medidas alternativas da prisão. Os procuradores também se manifestaram pela sua soltura.

“Todos estes elementos probatórios trazem, com razoabilidade, indícios de que todos os demais pagamentos nas planilhas ‘POSICAO – ITALIANO310712MO.xls’ e ‘POSICAO – ITALIANO 22 out 2013 em 25 nov.xls” foram efetivamente liquidados”, destaca o delegado da Operação Omertà. (Estadão).

Inveja e democracia: o regresso de Portugal ao ódio de classes.

Mariana Mortágua é uma espécie de Jandira Feghali, Luciana Genro ou Vanessa Grazziotin de Portugal, que defende a rapinagem do patrimônio dos mais ricos. Sua estupidez ideológica apenas demonstra que esse mal é universal. A propósito, segue artigo do professor José Manuel Moreira, demonstrando que, lá como cá, quem trabalha e gera empregos é opressor  e parasita; já os verdadeiros parasitas são vítimas:

Já quase tudo se disse sobre o “Temos de perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro”, os aplausos e o repto de Mariana: “Cabe ao PS, se quer pensar as desigualdades, dizer o que acha deste sistema capitalista e encontrar alternativa”. Apelo que ganhou vida nova com a definição marxista de Costa de uma sociedade decente.

Mas, mais que o regresso ao ódio de classes e aos tempos de vivência leninista na casa paterna, importa ir além das justificações para o assalto ao património dos mais ricos ou à devassa de contas bancárias do cidadão comum. Recorde-se o não pagamento de IMI pelos partidos e a indignação face à quebra do sigilo bancário no caso do enriquecimento ilícito dos políticos. Uma classe com muitos licenciados em assalto fiscal e mestres na inversão de valores: quem trabalha e gera empregos é opressor e parasita, já os verdadeiros parasitas, que vivem da espoliação da propriedade alheia, são vítimas.

Como se mais impostos fosse igual a menos desigualdade e a verdadeira catástrofe não consistisse em acreditar que a desigualdade do rendimento é uma catástrofe. Descurando que, ao contrário da desigualdade criada pelo intervencionismo, a gerada pelo mercado enriquece quem melhor serve os outros, enquanto os ricos do Governo usam os outros, para, em nome de promessas virtuosas (a prazo, desastrosas), alargarem o seu poder e o de um Estado de abuso, fraude, manipulação e corrupção.

Um processo que cresceu graças à difusão e aproveitamento da inveja, o sentimento mais poderoso entre as forças motivacionais que causam o declínio de uma civilização. Daí que todas as grandes religiões considerem a cobiça pelo alheio como pecaminosa, imoral e ilegítima.

Um progressismo que foi ganhando fôlego à medida que as prescrições religiosas foram perdendo vigor e se passou a viver num sistema que permite aos “eleitos” utilizar a legislação e a tributação como um meio para satisfazer a sua própria cobiça, como mostra Hoppe em “A democracia, os políticos e o retrocesso da civilização” (site Mises Brasil). Com esta postura, crescerá o número de pessoas obrigadas a prevenir-se e a defender-se, a si próprias e às suas propriedades, contra estas incursões agressivas dos parasitas que ocupam o aparelho estatal.

Do exposto resultam a confusão entre fisco e confisco e o triunfo da ideia de que o Governo existe para benefício de alguns e espoliação de outros. Um País a meter água e enredado na discussão das boas intenções, sem ver que a gravidade está na verdadeira motivação, afinal, o prazer do saque e o apoio descarado às Mortáguas do populismo.

Decadência, o grande legado de Dilma.

A tirana búlgara se foi, deixando atrás de si a decadência do Brasil no cenário internacional. E todos nós pagaremos essa desgraça:


Os relatórios dos últimos cinco anos sobre a competitividade global preparados pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) mostram de maneira evidente a rápida decadência do Brasil no cenário internacional. São, por isso, um retrato em números da desgraça que, de maneira sistemática e eficaz, a gestão Dilma Rousseff impôs à economia brasileira com suas irresponsáveis políticas fiscais e supostamente desenvolvimentistas. Embora tradicionalmente pouco competitivo em razão de problemas estruturais há muito conhecidos, o Brasil vinha recuperando posições na classificação mundial até o primeiro ano do governo Dilma. Desde então, porém, vem despencando. Perdeu 33 posições entre 2012 e 2016, ano em que ficou em 81.º lugar entre 138 países. É o pior desempenho do País desde 2007, quando a pesquisa foi iniciada.

Ao desastre que a gestão dilmista foi para a economia brasileira e para as finanças públicas somou-se, nos últimos anos, a revelação do imenso esquema de pilhagem de recursos que o governo do PT instalou na Petrobrás e em outras empresas controladas pelo Estado, para financiar o projeto do partido de manter-se indefinidamente no poder. O bilionário desvio de dinheiro beneficiou o principal partido do governo e seus aliados, além de dirigentes partidários, funcionários públicos e empresas que prestaram serviços ao governo federal.

Desse modo, aos problemas tradicionalmente enfrentados pelos investidores para atuar na economia brasileira a gestão lulopetista, sobretudo durante o governo Dilma, acrescentou outros, citados com destaque no relatório de competitividade de 2016 entre os fatores negativos que fizeram cair a classificação do Brasil, como a deterioração da qualidade da administração do setor público. Obviamente, quanto mais corrupto o governo, menos confiança ele inspira nas pessoas que precisam tomar decisões sobre projetos de longo prazo. Assim, no quesito instituições, um dos utilizados na pesquisa do WEF, o Brasil ocupa apenas a 120.ª posição entre os países relacionados.

O fracasso da política econômica do governo Dilma, expresso de maneira óbvia na longa e intensa recessão em que o País continua mergulhado, igualmente afetou, e muito, a classificação brasileira no ranking mundial de competitividade. A retração dos mercados de trabalho (com o desemprego atingindo atualmente mais de 11 milhões de trabalhadores), de bens e serviços e financeiro tornou pior a avaliação do Brasil em vários itens utilizados pelo WEF. Quanto ao ambiente de negócios, um dos principais itens para se avaliar a competitividade de uma economia, o Brasil é apenas o 128.º colocado. Em eficiência do mercado de trabalho, ocupa o 117.º lugar. Esta última classificação é mais um fator a demonstrar a urgência da reforma da legislação trabalhista, para torná-la mais adequada às profundas transformações por que passou e vem passando o mercado de trabalho em todo o mundo.

Problemas antigos, como excesso de burocracia, precariedade da infraestrutura, altos encargos trabalhistas, estrutura tributária complexa e baixa capacidade de inovação, também tiveram alguma influência na péssima classificação do Brasil no ranking de competitividade. Agora, o País é o pior entre os Brics (grupo que inclui Rússia, Índia, China e África do Sul). Na América Latina, o Brasil está à frente apenas da Argentina (104.º colocado) e da Venezuela (130.º).

Se há um lado positivo no relatório de 2016 do WEF é o fato de que os recentes e poderosos fatores que fizeram despencar a classificação do Brasil tendem a perder força com o afastamento definitivo do PT do poder e a posse de Michel Temer na Presidência da República. Eliminou-se de imediato um forte elemento de instabilidade institucional e criou-se a expectativa de que, com a nova gestão, os graves erros do passado recente serão corrigidos e mudanças para melhorar o ambiente para a atividade econômica serão feitas. (Estadão).

Indecência: o padrão político do PT.

O jeito petista de fazer política é reconhecível à primeira vista, diz editorial do Estadão:


A decisão unânime da 2.ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu marido, o ex-ministro dos governos petistas Paulo Bernardo, por corrupção e lavagem de dinheiro, reflete uma realidade que se enquadra no “contexto de corrupção sistêmica dentro da Petrobrás”, de acordo com entendimento do ministro-relator Teori Zavascki. Essa realidade, que o acúmulo de evidências torna irrefutável, na verdade extrapola o âmbito da Petrobrás e se estende a todo o aparato governamental da era lulopetista. Reflete o método político pelo qual Lula e seu PT optaram, na desastrada tentativa de consolidar um projeto de poder populista.

Chamado a prestar contas à Justiça, o casal de militantes petistas – ela senadora, com passagem pela chefia da Casa Civil de Dilma; ele quadro partidário de primeira linha do lulopetismo, ministro do Planejamento (2005 a 2011) e das Comunicações (2011 a 2015) – surge como símbolo da impostura de um partido político que chegou ao poder prometendo impor padrões morais rígidos à gestão da coisa pública e de ser um defensor intransigente das classes menos favorecidas, provedor infalível e generoso de suas necessidades materiais.

Um fenômeno relevante nos 36 anos de existência do PT ajuda a entender os desvios da trajetória político-programática estabelecida na fundação do partido. Numa primeira etapa, intelectuais e líderes religiosos que haviam ajudado a fundar o partido e a consolidar suas primeiras conquistas foram praticamente expulsos de suas fileiras pela ala sindical, mais rude e direta. Em seguida, após se ter transformado em partido eleitoralmente competitivo e depois de ter conquistado o Planalto, o PT passou a sofrer defecções importantes no seu quadro de lideranças, motivadas pela decepção com os novos caminhos que estavam sendo trilhados sob o comando de Lula e José Dirceu. A liderança remanescente acomodou-se sem maiores problemas em conveniente tolerância à adesão de Lula às práticas políticas de seus novos aliados, que no passado condenara com veemência. Essa gente sempre soube que corrupção é crime. Apenas passou a admitir que é impossível governar sem concessões a ela.

Os resultados da “luta em benefício das causas populares” foram a gastança descontrolada dos recursos públicos, a “nova matriz econômica” que resultou na recessão econômica, no estouro da inflação – que afeta principalmente os mais pobres – e nos mais de 12 milhões de desempregados em todo o País.

O casal Gleisi e Paulo Bernardo simboliza quase à perfeição o substrato do lulopetismo, que tem como uma de suas características mais marcantes a hipocrisia. A senadora, que como dirigente da cúpula partidária e ex-chefe da Casa Civil convivia necessariamente com a corrupção generalizada no governo, teve a ousadia de proclamar, no plenário do Senado, que ali ninguém tinha “autoridade moral” para julgar Dilma Rousseff. E, ao saber que se tornara ré no STF, afirmar que, finalmente, poderia contar a seu favor com o “benefício da dúvida” que lhe teria sido negado na fase de investigação da Lava Jato.

O ex-ministro do Planejamento, por sua vez, fez mais. Estava à frente da pasta quando o “governo popular” implantou a cobrança de uma taxa debitada compulsoriamente na conta de todos os aposentados beneficiários de crédito consignado. Um golpe que possibilitou a arrecadação de R$ 100 milhões que teriam sido destinados aos cofres do PT, descontada a milionária comissão que teria sido embolsada. A investigação relativa a esse golpe, por conta do qual Paulo Bernardo passou alguns dias encarcerado em junho último, não é a mesma que agora leva o STF a transformá-lo em réu. Essa é relativa à acusação de que ele teria recebido dinheiro do esquema do petrolão para abastecer a candidatura de sua cara metade ao Senado, em 2010.

Em seu relatório a favor do recebimento da denúncia, o ministro Zavascki destacou que se sentia à vontade para acolher o pedido da PGR porque evidências contidas no processo vão “muito além das declarações prestadas em colaboração premiada”. Poderia ter dito, em outras palavras, que o jeito petista de fazer política é reconhecível à primeira vista.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O sequestro de Donald Trump

Texto publicado no Blog de Carlos Alberto Montaner, sobre um tema praticamente ignorado no Brasil - e quando aparece, é para elogiar a candidata Clinton:


Finalmente, en Nueva York, tuvo lugar el primer debate entre los candidatos presidenciales Hillary Clinton y Donald Trump. Un evento devenido en forcejeo del que, según la mayoría de los expertos, salió victoriosa la exsecretaria de Estado.

Hillary llevaba semanas preparándose para este primer encuentro. Por el camino, le habían declarado una “neumonía” y se había “desmayado” en público, el 11 de septiembre frente a las Torres Gemelas. Todo estaba listo para que fuera vista con cierta compasión, o empatía, durante su enfrentamiento con el irascible “Donald”. Esta condición neutralizaría relativamente, indirectamente, la principal arma del empresario, que suele ser una mezcla de bullying y soberbia alardosa. Un grandote haciéndole bullying a una mujer enferma, alardeando mientras ella lo observa sonriente a la espera de que le permitan expresarse… un escenario que los asesores del magnate seguramente le habrían recomendado evitar.

Y Trump lo evitó parcialmente –tan groseramente como solo puede hacerlo él–, consciente además de que su campaña atravesaba, atraviesa, circunstancias extremadamente propicias, y no era necesario arriesgarse. Porque, desde un punto de vista racionalista, hay que decir que no habría forma de que Donald Trump perdiera en noviembre. Nunca en la historia moderna una situación nacional e internacional fue más favorable a un candidato presidencial en Estados Unidos. Numerosos atentados de naturaleza islamista sucediéndose en territorio estadounidense. Revueltas raciales en decenas de ciudades americanas, circunstancia cuyo denominador común es la necesidad de mano dura contra una delincuencia amparada en la protesta y que ya se ha cobrado decenas de vidas. Una candidatura demócrata –la de Hillary– con índices de desaprobación popular espectaculares y muchos oscuros episodios pendientes. Sin mencionar que del éxito de Trump depende que el Tribunal Supremo de Justicia no se incline a la izquierda definitivamente, supuesto que tanto la derecha trumpista como la anti-trumpista quieren evitar a como dé lugar.

Pero hay un problema montado en la cresta de la ola de todas estas situaciones desfavorables para los demócratas y que, de cierta manera, compensa las adversidades de contexto del obamismo reciclado: Una máscara llamada Donald Trump.

De cara al electorado indeciso, digamos moderado, todo o casi todo en la actual representación de Trump resulta desagradable, y esto se vio exponencialmente en el debate del lunes pasado. La voz quebrada, hosca, a ratos aflautada. El rostro coagulado en la expresión porcina. La presuntuosa supuración de la gestualidad, rústica, maleante, como si no fuera Trump el que hablara sino la caricatura de Trump interminablemente reproducida por la sobreactuación de Trump. O la procacidad de la máscara. Uno esperaba que de un momento a otro la faz de Trump fuera arrancada de cuajo por el propio Trump y brotara de una vez por todas el rostro real, secuestrado por Hillary Clinton. Si esta mujer fue capaz de desaparecer 33,000 emails relacionados con su gestión de gobierno bien podría tener amenazado al magnate con no devolverle su verdadera cara hasta tanto la máscara que se hace pasar por Trump no sea derrotada en las urnas.

¿Cuál es el verdadero candidato republicano? ¿La careta que se pasea por los sets de televisión de Estados Unidos derrochando muecas a diestra y siniestra, creyéndose seductora u ocurrente, un objeto de complot clintoniano –la teoría conspirativa– o existe algo más capaz de describir planes de gobierno, mantenerse dignamente frente a las cámaras o sonreír con naturalidad mientras habla de economía y lucha contra el terrorismo? De que haya un Trump más sobrio y argumental al acecho, esperando saltar como un tigre en los próximos dos debates, depende en mucho que los republicanos consigan retomar la Casa Blanca en 2017. O mejor dicho, que el trumpismo acceda por primera vez al Despacho Oval. El trumpismo ni siquiera es republicano. La máscara ni siquiera es conservadora.

Pacote completo: Hillary, símbolo da mediocridade esquerdista.

Outro dia disse no Twitter que basta ir a alguma universidade para se encontrar alguma Hillary, abundante nesses campi de ideologias feministas, antiliberais, politicamente corretas e de professorinhas medíocres e arrogantes. Pelo jeito, o Instituto Liberal concorda. Touché!


Constatei que a opinião majoritária dos analistas políticos, após o primeiro embate televisivo entre Donald Trump e Hillary Clinton, é a de que o republicano saiu-se bem no início do debate, notadamente nos primeiros trinta minutos, e depois foi totalmente dominado pela oponente. Mas o que teria gerado este divisor de águas? O que favoreceu Trump no começo, e o que fez com que sua performance fosse afetada no decorrer do debate?

O primeiro tópico trazido à baila pelo “isento” moderador Lester Holt tratava de prosperidade. Na prática, a contenda girou em torno da geração de empregos. E foi nessa hora que a admiradora de Saul Alinskybalançou, sendo sobrepujada pelo adversário. Não é de causar espanto: em pleno século XXI, a “Democrata” (eis aí uma clamorosa distorção entre significado e significante do tipo que a Esquerda adora promover) sustenta teses econômicas que já foram refutadas (pela vida real) há muito tempo, declarando que o Estado deve ser o responsável por gerar trabalho para a população, por meio do investimento público. Para tal, sugere cobrar mais impostos dos ricos – como se isso não fosse causar elevação de preços e desemprego, e como se os maiores financiadores de sua própria campanha não fossem George Soros e outros bilionários de Wall Street.

Waddill Catchings, em 1926, afirmava que as recessões eram causadas por falta de demanda, e que, portanto, seria imperativo que os governos (com dinheiro emprestado, se necessário) investissem em obras públicas para provocar demanda, abastecendo, assim, os consumidores com dinheiro para comprar o excesso de bens produzidos na recessão. Isso até podia fazer sentido 90 anos atrás, mas Hilary, ao fazer uso desta retórica desbotada, veio com um estilete para uma briga de machados neste primeiro trecho do debate, especialmente se comparado com o discurso do adversário. Bernie Sanders deve ter ficado orgulhoso da camarada Clinton, mas não tenho certeza se a maioria dos americanos quer brincar de virar cubano ou venezuelano (not yet, at least). Aparentemente, a maior parte deles entende que, se todos os cidadãos forem contratados pelo Estado para cavar buracos, teremos desemprego zero, muitas tocas para tatus e nada para comer.

Trump, a seu turno, propôs reduzir em 15% a carga tributária nacional, como medida para incentivar o empreendedorismo, bem como rever acordos comerciais leoninos assinados pelos Estados Unidos (NAFTA), e criar outros incentivos para que os empresários americanos não migrem para o terceiro mundo, tal qual vem ocorrendo com o Brasil também, refrear a bolha financeira que está sendo gerada pelo FED com sua política de redução artificial dos juros, além de ter mostrado preocupação com o crescente déficit público (US$20 trilhões). Não chega a ser uma palestra sobre a Escola Austríaca, mas está bem mais condizente com os princípios dos pais fundadores da América, e que proporcionaram tanto progresso àquela nação. Ponto para Trump.

A partir daí é que o caldo entorna. A conversa descamba para temas que um interlocutor despreparado, quando confrontado com um(a) esquerdista profissional, tende a perder a compostura, tal qual ocorreu com Donald. Trump passou sessenta minutos se defendendo de pechas e clichês típicos do ideário “progressista”. Xenófobo, sexista, racista, maluco que vai causar uma guerra nuclear, tudo temperado com risos debochados e gritinhos da platéia: foi muito para alguém que ingressou no meio político há pouco mais de um ano, e o candidato perdeu o rebolado. E olhe que estamos falando de alguém habituado a estar em frente às câmeras e sob pressão.

Hillary “venceu o debate sem precisar ter razão”, como detalhado por Artur Schoppenhauer em seus 38 estratagemas: encolerizar o adversário, plantar pistas falsas, fazer manipulações semânticas, uso de premissa falsa previamente aceita pelo adversário (e por toda a Direita), impelir o adversário ao exagero, fuga do específico para o geral; enfim, estava tudo lá. Desde a polêmica da tensão entre policiais e negros, até a celeuma da recusa do Republicano em apresentar seu imposto de renda, passando pelo fato de que ele mal tocou no assunto dos e-mails deletados por Hillary e deixou de mencionar o atentado terrorista em Benghazi – dois pontos fracos dela. Trump caiu feito pato na armadilha, e, quando se deu conta, era tarde demais.

Ou seja, uma vez mais, a Esquerda mostra que ainda dá um baile em Conservadores e Liberais quando se trata de conquistar corações e mentes, independentemente da lógica por esta adotada. Aquela metáfora do jogo de xadrez com o pombo, que derruba todas as peças, defeca no tabuleiro e sai de peito estufado dizendo que ganhou, funcionou e ainda angariou aplausos do público americano, diante de um Trump boquiaberto e sem ação. Ele assistiu Hillary nadar de braçada e não soube como subverter aquele processo.

E poucos de nós saberíamos, convenhamos. Jogar pelada no campo da esquina como se estivesse trotando no gramado do Camp Nou é implorar pela derrota, e é exatamente o que os oponentes de esquerdistas costumam fazer em debates e campanhas eleitorais. Trump terá mais duas oportunidades de dar a volta por cima até novembro, mas quem precisa aprender a lição, na verdade, são todos aqueles que pretendem conter o avanço dos apologistas do Globalismo e do big government mundo afora.

Não pense que será muito diferente com quem for travar discussões com Ciro Gomes ou Marina Silva nas eleições presidenciais de 2018. Se não quisermos ver o Planalto pintado de vermelho de novo (ainda que com matizes diversas), cumpre entender que a esperteza, em determinados momentos, é mais importante que a inteligência e o preparo, e que a forma deve, por vezes, ser prestigiada em detrimento do conteúdo.

Olavo de Carvalho, em outubro de 2015, publicou um artigo intitulado “O Reino do Subjetivismo”, donde se extraí esta mesma lição:

“… há dois conjuntos de conhecimentos, diferentes e incomunicáveis entre si, que o cidadão tem de dominar para alcançar algum sucesso. O primeiro refere-se, naturalmente, ao objeto ou propósito da tarefa a desempenhar. Se o sujeito trabalha numa fábrica de sabonetes, tem de saber algo sobre sabonetes. Se é enfermeiro, algo sobre corpos humanos, doenças e remédios. Se é legislador, juiz ou advogado, algo sobre leis. Se é escritor ou jornalista, algo dos assuntos sobre os quais escreve e do idioma que emprega. E assim por diante. O segundo conjunto de conhecimentos, que não pode ser deduzido do primeiro e tem de ser adquirido independentemente, ensina como o cidadão tem de tratar os colegas, os chefes e o público para sobreviver e, se possível, subir na hierarquia profissional…”.

Aí está. Ao que me parece, saber jogar para a torcida, que é uma aptidão comum em políticos populistas/estatizantes, é artigo em falta entre Liberais e Conservadores. Mas não é nada que não possa ser assimilado e posto em prática. A vida dos americanos já não andava fácil, precisando escolher entre duas maçãs podres, mas tudo leva a crer que os próximos quatro anos podem ser ainda mais duros na terra dos livres e lar dos bravos (pero no mucho).

Ministrar cursos visando habilitar candidatos com estas competências pode ser uma boa oportunidade de ganhar dinheiro no futuro próximo, hein. Mas cuidado para não ficar rico como Trump, e entrar para o time dos “The Have” – ou, em português Lulopetista, a ZELITE! Não serás perdoado, e sua reputação será atacada impiedosamente, seja ao vivo na CNN, seja em Terra Brasilis. “Make America Great Again” sounds good, but americans seem to prefer “Fundamentally transform America”. It’s a shame…

Tropeço é violar a Constituição, Lewandowski.

Gilmar Mendes, presidente do TSE, responde ao ministro Ricardo Lewandowski - lulista de carteirinha -, que andou dizendo em aula que o impeachment foi um tropeço. Tropeço, aliás, é o que o lulopetismo faz há 14 anos, afrontando o Estado de Direito:


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse nesta quinta-feira, 29, que o único tropeço no processo de impeachment de Dilma Rousseff foi a realização de uma votação fatiada. O comentário de Gilmar foi uma resposta ao comentário do ministro Ricardo Lewandowski, que lamentou o impeachment de Dilma Rousseff, classificando o episódio como “um tropeço na democracia”.

“Acho que o único tropeço que houve foi aquele do fatiamento, o DVS (destaque para votação em separado) da própria Constituição, no qual teve contribuição decisiva o presidente do Supremo”, disse Gilmar, ao analisar a conduta do então presidente do STF, Ricardo Lewandowski, na condução do processo de impeachment. (Estadão).

Durante o julgamento do impeachment, Lewandowski decidiu aceitar o destaque apresentado pela bancada do PT, que pediu que a votação do impeachment fosse dividida em duas partes, e não de maneira conjunta. Dessa forma, Dilma manteve os direitos políticos, embora tenha tido o seu mandato cassado.

Aula. O comentário de Lewandowski sobre o impeachment foi feito durante uma de suas aulas na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde o ministro leciona Teoria do Estado. Lewandowski criticou o modelo de presidencialismo de coalizão, que considerou ser fruto da Constituição Federal.

“Deu no que deu. Nesse impeachment a que todos assistiram e devem ter a sua opinião sobre ele. Mas encerra exatamente um ciclo, daqueles aos quais eu me referia, a cada 25, 30 anos no Brasil, nós temos um tropeço na nossa democracia. É lamentável. Quem sabe vocês, jovens, consigam mudar o rumo da história”, afirmou Lewandowski.

No dia 1º deste mês, um dia depois de o Senado decidir pela cassação de Dilma Rousseff, Gilmar Mendes disse que a votação fatiada do processo de impeachment é, "no mínimo, bizarro" e "não passa na prova dos 9 do jardim de infância do direito constitucional". (Estadão).

Impeachment, a fórmula para reequilibrar os três poderes da República.

O jornal português Observador é muito mais analítico que qualquer jornal brasileiro sobre a nossa própria situação. De longe, às vezes, podemos ver com mais clareza. Sirva de exemplo o texto de Nelson Camanho, intitulado "Coup d'état ou Guilhotina?":


Um coup d’état ou golpe de estado é, de acordo com o Cambridge Dictionary, um evento repentino no qual se derruba ilegalmente um chefe de estado que foi eleito de acordo com a Constituição, e quase sempre de forma violenta e com o envolvimento de militares.

No dia 31 de agosto de 2016, após cumprir 608 dias do mandato de reeleição oferecido por 51,6% dos eleitores brasileiros, Dilma Rousseff foi afastada legalmente e definitivamente da presidência do Brasil através de um processo longo, sem surpresas, seguindo o rito constitucional e com zero participação dos militares. [O fatiamento do impeachment foi o único desrespeito à Constituição: no mesmo dia que o Senado decretou o impeachment de Dilma, votou que ela não estaria inelegível pelos próximos oito anos. A Constituição previa que o presidente impedido deveria ser inelegível por oito anos.] Houve muitas manifestações dos que concordavam e dos que discordavam com o impeachment, como assim deve ser numa democracia vibrante.

Dilma foi impedida por cometer um crime de responsabilidade. Ela usou e abusou do uso de dinheiro de bancos estatais e de recursos do FGTS (a poupança que o trabalhador brasileiro é forçado a fazer para a reforma) para financiamento de programas sob a tutela do Tesouro Nacional, as malfadadas “pedaladas fiscais”. Não foi a primeira presidente a utilizar este recurso, mas certamente foi a única que não deixou dúvidas que o fazia para diminuir artificialmente o rombo das contas do governo federal. Segundo dados de um relatório do Banco Central do Brasil e divulgado pelo jornal Folha de São Paulo, durante o governo FHC (1995-2002), a dívida acumulada com os bancos não passou de 0,1% do PIB. O correligionário e principal responsável pela eleição de Dilma, Lula (2003-2010), não presenciou durante o seu mandato níveis maiores que 0,2% do PIB. Dilma, por sua vez, autorizou ou aceitou dívidas em torno de 1,0% do PIB, com forte tendência de alta. O uso extensivo e crescente das “pedaladas” e o seu nível relativo aos dois presidentes anteriores funciona como uma fácil denúncia a qualquer auditor de contas que algo estava fora de controle. Assim pelo menos no dia 7 de outubro de 2015 denunciou o Tribunal de Contas da União que as contas do governo de Dilma relativas a 2014 estavam reprovadas.

No dia 2 de dezembro de 2015, o então presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha aceitou a abertura de processo de impeachment, após a recusa de mais de 30 pedidos anteriores. Em 17 de abril de 2016, a mesma Câmara admitiu o processo de impeachment com 367 dos 513 deputados votando a favor, 25 a mais do que o necessário. Finalmente, no último dia 31 de agosto, 61 dos 81 senadores (7 a mais que o necessário), votaram definitivamente a favor do impeachment. Num último ato em 8 de setembro, envolvendo o Judiciário, o Supremo Tribunal Federal negou uma liminar protocolada pelo advogado de defesa de Dilma para anular a derradeira sessão do Senado.

Decerto, o impeachment é um acontecimento drástico em um regime presidencial, mas certamente respeitou mais as tradições democráticas brasileiras – que já haviam presenciado o impeachment de Collor em 1992 – do que a formação do governo português em 2015 respeitou as tradições democráticas portuguesas. Estas foram quebradas ao não se respeitar a não união de partidos moderados com partidos extremos, a fim de que o Partido Socialista (moderado), ao se unir ao Bloco de Esquerda (extremo) e Partido Comunista (extremo) negassem o voto da maioria de 38,5% de eleitores que deram um amplo mandato à coalizão moderada de direita, entre PPD/PSD e CDS-PP.

Mas visto sob a perspectiva de um continente que se acostumou com o populismo de esquerda, que muitas vezes visou mais à conquista e perpetuação no poder pelos que se dizem defensores dos pobres – Peron, Vargas, Chavez, Kirchners, Maduro, Lula, etc… – em comparação a um governo que tivesse como objetivo a implantação de medidas estruturais, quase sempre impopulares, com o fim de diminuir as diferenças sociais, visto sob esta perspectiva, o impeachment é uma solução natural e uma forma de reequilibrar os três poderes, quando o Executivo, em governos dominados por líderes populistas, desrespeita o Legislativo e o Judiciário.

Vale ressaltar que se Dilma não tivesse tomado decisões económicas desastrosas e não fosse tão desprovida de habilidades políticas, talvez não houvesse motivação política para se levar o impeachment a cabo. Não é certo se o Robespierre dos trópicos, o juiz Sergio Moro, teria força para aprofundar o processo judicial que talvez mais tenha influenciado a história do Brasil, o temido “Lava Jato”, uma verdadeira caça às bruxas, que já cumpriu mais de 100 mandados de busca, apreensão, prisão temporária, preventiva e coercitiva e não poupou nenhum lado do espectro político brasileiro.

Claro que assim como Chavez e Maduro acusam qualquer indício de mudança de poder como golpe, assim como Erdogan afastou juízes, proibiu a saída de professores universitários e persegue jornalistas para “proteger” o seu país de um “golpe” cujos fatos não estão muito claros, Dilma e sua turma adoram propalar para todos e, em particular, para a imprensa internacional que há um golpe no Brasil. Há até membro da turma da Dilma (a filósofa e professora da USP Marilena Chauí) que acusa Sergio Moro de ser um espião infiltrado do FBI. Claro, aos olhos dos estrangeiros menos informados que veem Lula e seu partido como os representantes do povo contra a velha elite branca machista, a explicação simples dos fatos cai como uma luva. Mas por que não ao menos considerar a perspectiva de que as instituições brasileiras passam por um amadurecimento, e a turbulência a curto prazo trará um país onde os incentivos para corrupção, principalmente de políticos, se reduzirão fortemente, com imensos benefícios a longo prazo?

Fábula do golpe ou revolução francesa à brasileira?

Tropeço na democracia


Petistas foram eficientes, sim. Na destruição.

Carlos Alberto Sardenberg observa que o PT montou sistemas ineficientes e corruptos, tanto na economia quanto nos mais simples serviços públicos. Aliás, petistas são como cupins e gafanhotos:


Quanto tempo, dinheiro, energia e criatividade o pessoal da Odebrecht gastou para montar e manter por tantos anos o tal “Departamento de Operações Estruturadas”? O sistema supervisionava, calculava e executava os pagamentos de comissões — propinas, corrige a Lava-Jato — referentes a grandes obras no Brasil inteiro e em diversos outros países. Considere-se ainda que os pagamentos deviam ser dissimulados, o que trazia o trabalho adicional de esconder a circulação do dinheiro e ocultar os nomes dos destinatários. Coloquem na história os funcionários que criavam os codinomes dos beneficiários — Casa de Doido, Proximus, O Santo, Barba Verde, Lampadinha — e a gente tem de reconhecer: os caras eram eficientes.

Nenhuma economia cresce sem companhias eficientes. Elas extraem mais riqueza do capital e do trabalho e, com isso, reduzem o custo de produção, entregando mercadorias e serviços melhores e mais baratos.

Pois o “Departamento de Operações Estruturadas” foi eficiente na geração de uma enorme ineficiência. Tudo aquilo é parte do custo Brasil — encarece as obras, elimina a competição, afasta empresas de qualidade e simplesmente rouba dinheiro público.

Há aqui dois roubos: um direto, o sobrepreço que se coloca nas obras para fazer o caixa que alimenta as propinas; o outro roubo é indireto e mais espalhado. Está no aumento dos custos de toda a operação econômica.

Na última terça, a Fundação Dom Cabral divulgou a versão 2016 do ranking mundial de competitividade, que produz em associação com o Fórum Econômico Mundial. O Brasil apareceu no 81º lugar, pior posição desde que o estudo é feito, atrás dos principais emergentes, bem atrás dos demais países do Brics.

Mais importante ainda: se o Brasil caiu 33 posições nos últimos seis anos, os demais emergentes importantes ganharam posições com reformas e mais atividade econômica. Prova-se assim, mais uma vez, que a crise brasileira é “coisa nossa”, genuína produção nacional.

Os governos Lula 2 e Dilma foram tão eficientes na geração do desastre quanto a Odebrecht com suas operações estruturadas. Uma política econômica que provoca recessão — por três anos seguidos — com inflação em alta, juros elevadíssimos e dívida nas alturas, tudo ao mesmo tempo, com quebradeira geral das maiores estatais — eis uma proeza que parecia impossível.

Para completar, a eliminação de qualquer critério de mérito na montagem do governo e suas agências arrasou a eficiência da administração pública e, por tabela, da empresa privada que tinha negócios com esse governo.

Em circunstâncias normais, numa economia de mercado, a empresa privada opera tendo como base as leis e as regulações que devem ser neutras e iguais para todos. A Petrobras precisava ter regras públicas para contratação de obras e serviços.

Em vez disso, o que a Lava-Jato nos mostrou? Um labirinto de negociações escondidas, operações dissimuladas, manipulações de lei e regras.

Às vezes, a gente pensa: caramba, não teria sido mais simples fazer a coisa legal? Sabe o aluno que gasta enorme energia e capacidade bolando uma cola eficiente e acaba descobrindo que gastaria menos estudando?

A diferença no setor público é que o estudo não dá dinheiro. A cola dá um dinheirão para partidos, seus políticos, amigos e companheiros.

Nenhum país fica rico sem ganhos de produtividade. O Brasil da era PT perdeu produtividade. Mas, pior que isso, criou sistemas ineficientes e corruptos desde os principais setores da economia — construção civil, indústria de óleo e gás — até os mais simples serviços públicos, como a concessão de bolsa-pescador ou auxílio-doença.

SOBRANDO DINHEIRO

Como o Brasil do pré-sal, a Noruega também descobriu enormes jazidas de petróleo. Também constituiu uma estatal — a Statoil — para extração e produção.

Mas os noruegueses tomaram a decisão de guardar a receita do óleo. Constituíram um fundo soberano, alimentado com os ganhos da Statoil, fundo este que passou a investir sobretudo em ações pelo mundo afora. Esses investimentos deram lucros — e este dinheiro, sim, é gasto pelo governo. E o fundão é reserva para as aposentadorias.

O fundo norueguês é hoje o maior do mundo — tem um capital investido de US$ 880 bilhões.

Já o Brasil gastou antes de fazer o dinheiro.

O pré-sal está atrasado, perdemos o boom dos preços astronômicos do petróleo e a Petrobras é a empresa mais endividada do mundo. Outro dia mesmo, vendeu um poço para a Statoil, para fazer caixa. E Dilma dizia que estava construindo o futuro. De quem? (O Globo).