domingo, 15 de janeiro de 2017

Politicamente correto: uma doutrina maléfica e perigosa.

O politicamente correto é uma sobrevivência da patrulha comunista derrubada a partir do muro de Berlim e do desmantelamento da União Soviética. Relativista e negador da verdade, é abraçado pela mentalidade esquerdista prevalecente em vários países ocidentais. É uma praga a ser eliminada. A propósito, segue artigo de Lucas Berlanza, publicado no site do Instituto Liberal:


Prestigiada por sua carreira de sucessos merecidos como atriz, homenageada com uma honraria na cerimônia do Globo de Ouro, Meryl Streep subiu ao palco e preferiu destilar veneno esquerdista ao microfone. Repetiu a mentira Democrata sobre o suposto deboche de Donald Trump a um repórter com deficiência física, um engodo detalhadamente desmentido por Felipe Moura Brasil em sua coluna na Veja.

Não ficou só nisso, como se caluniar alguém dessa forma fosse pouco; “chorou miséria”, lamentando o quanto os afortunados artistas de Hollywood, os estrangeiros e os jornalistas – eles mesmos, os figurões da CNN que trocam carícias e cargos com o Partido Democrata – são as “categorias” mais perseguidas nos EUA na era nazista de Trump. Trump, saliente-se, que ainda nem foi empossado como presidente da República (!). O que é, na verdade, um posicionamento de oposição à imigração ILEGAL – ILEGAL! -, Streep, como os seus amigos Democratas, lê como xenofobia. Ainda sobrou para os lutadores de MMA e jogadores de futebol, menosprezados de maneira gratuita pela diva do cinema.

Dias depois, saltou-nos aos olhos uma notícia sobre um incidente bastante inacreditável em uma universidade britânica. Segundo a notícia, reproduzida na Gazeta do Povo, “estudantes em Londres querem ‘afrontar a instituição branca’. Por isso, exigem que filósofos brancos (…) deixem de constar no currículo de filosofia e devem ser incluídos no programa ‘apenas se necessário’ e estudados ‘de um ponto de vista crítico’” – como se alguém os estivesse forçando a concordar integralmente com Platão, Kant ou Descartes. De acordo com essas AMEBAS chamadas estudantes da Escola de Estudos Orientais e Africanos, esses “filósofos brancos” – como se as grandes questões da filosofia estivessem intrinsecamente atreladas a cores de pele – representam a “colonização” do ensino superior (?), e deveriam ser estudados majoritariamente filósofos africanos e asiáticos. Mentes lúcidas, como o conservador Roger Scruton, criticaram essa estupidez, como não poderia deixar de ser. É de uma idiotice tão grande que tenho dificuldades até de comentar.

Mentiras sobre a conduta pessoal de um adversário político-ideológico que incomoda as próprias certezas e imperativos rocambolescos sobre o mundo; confusão propositada entre se opor a um grupo que infringe a lei e ser hostil a qualquer estrangeiro; jogar no lixo a maior parte da epopeia da filosofia ocidental que forjou a nossa cultura. Todos esses comportamentos lamentáveis estão sob a mesma égide: o politicamente correto.

Esses dois incidentes revelam da maneira mais indiscutível que, sob o pretexto de proteger minorias supostamente vítimas, em determinado contexto social, de perseguições e opressões naturalmente absurdas, a esquerda moderna – quer seja a chamada beautiful people da classe artística e do Partido Democrata americano, quer seja a New Left em qualquer parte do mundo, quer sejam os “coletivos” (de negros, LGBT ou qualquer coisa que o valha) – está disposta a: destruir reputações, transformar o apreço pela lei no ódio ao diferente, inventar e disseminar histórias falsas, explorar qualquer oportunidade (mesmo premiações individuais) para destilar o seu veneno, atentar contra a educação e a continuidade da transmissão das informações que moldaram a nossa cultura.

Em resumo: DESTRUIR todos os nossos valores e TODA A NOSSA CIVILIZAÇÃO. No ponto extremo, é a esse resultado que eles pretendem chegar, se continuarmos a dar ouvidos a eles. Quando um limite dessa monta e uma pretensão apocalíptica a essas proporções começam a mostrar seus sintomas, passa a não ser nem de longe mais possível o comedimento em defesa das verdades e coisas permanentes que nos são caras. O politicamente correto de que estamos falando é um adversário RACISTA, OBSCURANTISTA e DESTRUTIVO e, por isso mesmo, não merece um pingo de respeito.

O desespero dos cupins petistas

Sem o Estado, a militância petista tem uma grande "dúvida existencial", segundo editorial do Estadão: ou fica no palanque com suas hordas ou agarra os cargos que puder. De qualquer forma, o partido continua sendo desastroso para o país, independentemente da decisão que tomar:

Coerente com sua visão estatista do mundo, segundo a qual o governo é o Grande Provedor, inclusive de empregos diretos, ao longo de mais de 10 anos no poder o lulopetismo transformou a administração federal – bem como as estaduais e municipais sob seu comando – em generosa fonte de trabalho para sua devotada militância. Não há números precisos, até porque a ampla e complexa dinâmica das nomeações públicas não favorece a transparência, mas contam-se às dezenas de milhares os cargos e funções na administração pública direta e indireta que foram ocupados por petistas de carteirinha enquanto a bandeira da estrela vermelha tremulou no Palácio do Planalto.

Aí veio o impeachment de Dilma e o início do processo de “despetização” do governo federal. Pouco tempo depois ocorreu o desastre das eleições municipais, que reduziram de 630 para 256 (-60%) as prefeituras petistas. Nove legendas elegeram mais prefeitos do que o PT. Uma verdadeira catástrofe para o partido que transformara a prática habitual do aparelhamento do Estado, em todos os níveis, em método político como nunca antes na história deste País. Segundo o site Contas Abertas, com base em dados fornecidos pelo Ministério do Planejamento, em julho de 2015 o número de cargos de confiança na administração federal direta havia batido um recorde histórico ao superar a casa dos 100 mil, o equivalente a cerca de 16% dos 618 mil cargos providos por concurso, apenas no Poder Executivo. Somem-se a esses 100 mil os petistas comissionados em cargos e funções no Legislativo, no Judiciário e nas administrações petistas nos Estados – Acre, Bahia, Ceará, Minas Gerais e Piauí – e nos municípios, que eram 630 até 31 de dezembro de 2016.

Apeado do poder, o PT enfrenta hoje o problema de manter empregados dezenas de milhares de militantes que não podem mais contar com a mamata dos cargos públicos. Também sobre esse assunto o partido está hoje dividido entre os “ideológicos” – que defendem o “retorno às ruas” para o resgate das antigas bandeiras que pregavam a luta radical e sem tréguas contra as injustiças sociais – e os “pragmáticos” – para os quais a sobrevivência da legenda e a garantia de emprego aos militantes dependem de concessões políticas que garantam um mínimo de acesso às fontes de poder no plano federal.

Não bastasse esse dilema, o PT ainda hesita, nas negociações políticas para a eleição dos novos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, entre apoiar, discretamente que seja, os chamados “candidatos oficiais” ou manter-se coerente com a postura oposicionista. Apoiar as candidaturas de Eunício Oliveira (PMDB-CE) para o Senado e Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a Câmara significaria garantir o acesso à nomeação de dezenas de funcionários comissionados.

A disputa na Câmara parece ser menos problemática para o PT, uma vez que boa parte de sua bancada já havia avalizado a eleição de Rodrigo Maia para cumprir o mandato-tampão decorrente da renúncia de Eduardo Cunha. Cogita-se da possibilidade de os petistas ficarem com a 1.ª Secretaria da Mesa, cargo que controla a nomeação de cerca de 80 funcionários. Mas, se votar em Maia, não terá sido esta a primeira vez que o PT deixará um aliado – neste caso o deputado André Figueiredo (PDT-CE), disposto a manter sua candidatura até o fim – no sereno.

Arranjo semelhante ao que parece estar sendo costurado pelo PT na Câmara pode ser acertado com o senador Eunício Oliveira, que ambiciona suceder a Renan Calheiros. Mas a simples ideia de algo parecido com um acordo com o governo Temer tem sido fortemente repelida pelos dois parlamentares petistas que mais se destacaram na defesa de Dilma Rousseff e não parecem dispostos a colocar em risco os pontos que ganharam com a militância radical: Lindbergh Farias (RJ) e Gleisi Hoffmann (PR).

É essa a grande dúvida existencial do PT: permanecer no palanque ou se garantir com os cargos que puder agarrar.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Triste final feliz: Obama e sua claque - chore, Meryl, chore.

Assim que assumiu o governo, Obama foi agraciado com um Prêmio Nobel, o primeiro Nobel pré-datado da história. A despedida do caneludo"pai" do Estado Islâmico já merece o Oscar de melhor comédia do ano. Artigo de Guilherme Fiuza, publicado no jornal O Globo:


Donald Trump ainda não estreou, mas o pranto desesperado de Hollywood em memória de Barack Obama já é o Oscar de melhor comédia. Não se sabe ao certo o que o agente laranja vai aprontar no poder. O que se sabe e se viu foram os lábios trêmulos e a voz embargada de Meryl Streep defendendo um governo marqueteiro, populista e medíocre. Cada um com a sua comoção.

Hollywood acredita em Robin Hood. Ou, mais precisamente: metade quer acreditar, e metade finge que acredita. A Meca do cinema conhece o poder de uma lenda — tudo está bem se acaba bem (com bons personagens e muita emoção). Foi assim que alguns astros hollywoodianos ungiram Hugo Chávez e Nicolás Maduro como heróis dos pobres sul-americanos. O sangue derramado, a liberdade ceifada e a devastação econômica não entraram no filme. Não devem ter cabido no roteiro.

A lenda de Obama começa com um final feliz. Coisa de gênio, sem precedentes. No que pôs os pés na Casa Branca, o presidente foi agraciado com o Nobel da Paz — o primeiro Nobel pré-datado da história. Quem haveria de contestar a escolha, diante do sorriso largo, da elegância e do alto astral do primeiro presidente negro dos EUA, exorcizando a carranca do Bush?

O problema de uma história que começa com final feliz é você ter que assistir ao resto de olhos fechados, para não estragar. Foi o que fez a claque mundial de Barack Obama nos oito anos que faltavam.

Os críticos dizem que foi um governo desastroso. Inocentes — não sabem o que é uma temporada com o Partido dos Trabalhadores. O Partido Democrata fez um governo medíocre, recostado à sombra do mito. E para corresponder à mitologia, aumentou alegremente as taxações e a dívida pública (100%), porque é assim que faz um Robin Hood. A diferença é que na vida real há uma floresta de burocratas no caminho, engordando com o dinheiro dos pobres. Uma Sherwood estatal.

Esse populismo perdulário, de verniz progressista, ancorado num líder identificado com os menos favorecidos — receita conhecida dos brasileiros — costuma ser muito saudável para quem está no poder. O problema é o bolso do eleitor, que não se comove com presidente fanfarrão, canastrão ou chorão. As caras e bocas de Obama devem ter enchido os olhos de Meryl Streep — mas, quando esvaziam o bolso do contribuinte, não tem jeito. A economia americana engasgou com as prendas estatais do presidente bonzinho, e as urnas mandaram a conta.

Só que a lenda está a salvo disso tudo, e a claque não se entrega — como foi visto na histórica cerimônia do Globo de Ouro. O transtorno da elite cultural americana é tal, que os bombardeios de Obama ficam parecendo chuva de pétalas — mesmo quando destroem um hospital. Um cara tão gente boa não pode ser um dos presidentes que mais agiram contra as investigações da imprensa no país — e claro que o megaesquema de espionagem do caso NSA foi sem querer. Barack é do bem.

Dizem que Donald Trump vai provocar uma guerra mundial. É o chilique com efeitos especiais. Mas se isso acontecer, se o planeta virar mesmo um cogumelo, a claque do Obama estará de parabéns. Graças a ela, aos patrulheiros das boas maneiras ideológicas, aos gigolôs da virtude, enfim, a toda essa gente legal que vive de industrializar a piedade, o bufão alaranjado emergiu. Ele é a resposta dos mortais à ditadura dos coitados.

Só um caminhão de demagogia sobre imigrantes, impondo o falso dilema da xenofobia, poderia transformar um muro em protagonista eleitoral na maior democracia do mundo. Xenófobos são sempre retrógrados — a civilização foi feita de migrações. Mas imigrantes e refugiados ganharam passaporte diplomático no mundo da lua dos demagogos, onde sempre cabe mais um.

Demagogia atrai demagogia — em igual intensidade e sentido contrário. Aí veio o troco do agente laranja, e agora Meryl Streep está fingindo que a escolha dos americanos discrimina Hollywood. É de morrer de pena.

É duro ver artistas esplendorosos fazendo papel de tolos com cara de revolucionários. Resta aos fãs fazer como eles: fechar os olhos para não estragar a história. E resta ao mundo parar de mimar os coitados profissionais. Eles custam caro.

Obama se despediu repetindo o “Yes, we can”. Não, companheiro. Não podemos mais viver de slogans espertos e governantes débeis. A paz mundial não avançou um milímetro enquanto o Nobel pré-datado engatinhava em seu gabinete, entre outras gracinhas ensaiadas. A Faixa de Gaza e o Estado Islâmico não têm a menor sensibilidade para as atrações da Disney.

Obama disse que Lula era o cara. A Lava-Jato provou que era mesmo. Cada um com sua lenda. E você com a conta. Mas não fique aí parado. Faça como a Meryl: chore.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O velho e novo Brasil: sempre antiliberal e patrimonialista.

Em sua coluna na revista Istoé, Rodrigo Constantino analisa o "capitalismo de compadres" vigente no Brasil - o velho e nefasto patrimonialismo, que impede o desenvolvimento do país, como bem mostrou Antônio Paim. Vale ressaltar que o uso da coisa pública para fins privados se consolidou com a chegada do lulopetismo ao poder, com sua mentalidade estatizante:


Não há nada mais velho no Brasil do que o “capitalismo de compadres”, o patrimonialismo, o uso da coisa pública para fins privados, alimentado pelo centralismo estatal. São males que nos acompanham desde sempre. Revolucionário em nosso País seria o liberalismo, que nunca nos deu o ar de sua graça. A mentalidade estatizante está enraizada, desconfiando de tudo que vem da iniciativa privada e delegando ao governo um papel de salvador da Pátria. Nesse aspecto, o Brasil se parece muito com a França. Esse centralismo, afinal, vem desde o Antigo Regime, e foi fortalecido pelos jacobinos e por Napoleão. Troca-se o inquilino do edifício, mas a alma permanece intacta.

Em sua análise dessa época, Tocqueville mostra como todo o arcabouço do centralismo estatal já estava presente no Antigo Regime, e foi apenas aproveitado pelos revolucionários. Os administradores concentravam absurdo e arbitrário poder. E como as regras eram muitas e rígidas, a saída era o “jeitinho”, uma prática frouxa. Os reformadores miravam em fins diversos, mas seu meio era sempre o mesmo: usar o poder central para colocar em prática seus planos pessoais. O poder do Estado deveria ser quase ilimitado. Se ao menos ele fosse utilizado de forma adequada…

“Ninguém imagina que possa levar a bom termo um assunto importante se o Estado não se imiscuir”, escreve Tocqueville. Mesmo os agricultores achavam que era preciso o governo atuar para “aperfeiçoar” seu setor, tanto por meio de conselhos como de auxílio. Tocqueville continua: “Tendo o governo tomado assim o lugar da Providência, é natural que cada qual o invoque em suas urgências particulares. Por isso encontramos um número imenso de requerimentos que, sempre se fundamentando no interesse público, dizem respeito entretanto apenas a pequenos interesses privados”.

Impossível ler essa passagem e não pensar na coluna do empresário Benjamin Steinbruch na “Folha de S. Paulo”. Nela, o acionista do Grupo Vicunha e da CSN defende uma participação mais ativa do Estado para salvar a indústria brasileira, como se não tivesse sido justamente o excesso de intervenção estatal o maior responsável pela crise. Câmbio manipulado, redução artificial na taxa de juros, seleção de campeões nacionais, estímulos fiscais, tudo aquilo que o PT fez, e gerou apenas desgraça, o empresário deseja rever. Os “progressistas” são tão modernos como os nobres do Antigo Regime francês! Ironicamente, quem também adota visão protecionista parecida é Trump, odiado por nossa esquerda, que parece ter se encantado com a globalização da noite para o dia. Mas sabemos que é pura fachada: essa turma só odeia os novos inquilinos, Trump e Temer, mas adora a alma centralizadora e estatizante de nosso País.

Sexta-feira, 13: xô, lulopetismo!


Geddel era informante de grupo criminoso

Nunca confiei nem confiaria nesse Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Temer. Basta olhar para a cara do sujeito numa perspectiva psicológica ou sociológica. Daí jamais virá boa coisa. Fica claro, uma vez mais, que o PMDB foi sempre um aliado fiel do lulopetismo, compartilhando as práticas criminosas do partido que sintonizou o Brasil com o peçonhento populismo cucaracho:


Investigadores da Operação Cui Bono? (a quem beneficia?), deflagrada nesta sexta 13 pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, sustentam que Geddel Vieira Lima, ex-ministro do presidente Michel Temer, era braço-direito do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso em Curitiba, em esquema para liberar empréstimos a empresas ‘dispostas a realizar negociações ilícitas’.

No pedido de buscas e apreensões enviado à Justiça Federal, a PF afirma que, valendo-se do cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, o qual exerceu entre 2011 e 2013, ainda no governo Dilma Rousseff, Geddel agia internamente, em ajuste com Cunha, para beneficiar as empresas suspeitas de pagamento de propina.

A ele caberia fornecer informações privilegiadas para ‘outros membros do grupo criminoso’, que incluiria o ex-presidente da Câmara, o também ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto, que delatou o esquema na Caixa, e o operador do mercado financeiro Lúcio Bolonha Funaro.

Ente as empresas suspeitas de pagar suborno, segundo a Operação Cui Bono? estão BR Vias, Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários, Marfrig, J&S Investimentos, Bertin, JBS Comporte Participações, Big Frango e Digibras.

As evidências contra Geddel surgiram em mensagens de um celular apreendido na casa de Cunha na Operação Catilinárias. Elas revelam diálogos entre Cunha e Geddel indicando, por exemplo, que ‘já tinham saído votos favoráveis às operações da Marfrig, de que os valores estavam liberados’.

Após essas conversas, a Marfrig repassou R$ 469,5 mil à Viscaya Holding, de Funaro, que seria um dos captadores de propina para Cunha.

O executivo da Marfrig à época dos fatos, Marcos Antônio Molina dos Santos, que pleiteava a liberação do dinheiro, está sendo investigado.

Marcos Roberto Vasconcelos, ex-vice-presidente de Gestão de Ativos da Caixa, cujo imóvel foi alvo de buscas nesta sexta, tinha “papel importante” na liberação dos créditos pretendidos por Cunha, Geddel, Funaro e Cleto.

Também são alvos da ‘Cui Bono? o servidos da CEF José Henrique Marques da Cruz, citado em algumas mensagens apreendidas pela PF como Henrique da Vigan (Vice-Presidência de Atendimento e Distribuição da Caixa). Esse setor, segundo a PF, exercia função essencial na liberação dos recursos, conforme mensagens trocadas entre Geddel e Cunha. Elas mencionavam as pendências de análise do “Henrique”, suspeito de ter “proximidade ilícita” com o grupo investigado.

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal, em Brasília, autorizou acesso a dados telefônicos, telemáticos, bancários e fiscais dos envolvidos, eventualmente apreendidos. Também permitiu buscas na vice-presidência de Tecnologia da Informação da Caixa, com o objetivo de esclarecer melhor como se dava o trâmite dos processos sob suspeita.

A ordem é apreender mídias e comunicações, por canais corporativos, dos envolvidos.

O magistrado sustenta que há ‘fortes indícios de que todas as pessoas relacionadas (na investigação) tiveram participação nos fatos que ensejaram as referidas irregularidades/ilícitos”, escreveu, na decisão que autorizou as medidas.

A operação apura crimes de corrupção, associação ou organização criminosa e lavagem de dinheiro. (Estadão).

Terror nas redações:Trump fura a imprensa obamista no Twitter.

Ricardo Bordin, do blog Por um Brasil sem Populismo, mostra que Donald Trump, fustigado pela "mídia", acaba pautando a imprensa, obrigada a correr atrás do que ele divulga em seu movimentado Perfil no Twitter. Divirtam-se com o texto:


Esta semana ficou marcada na política americana como aquela na qual a mídia mainstream deixou de rodeios e partiu para o ataque abaixo da linha da cintura contra Donald Trump, tal qual animal acuado contra a parede. Alexandre Borges proferiu uma verdadeira aula sobre o tema em seu canal no Youtube, mas eu gostaria de chamar a atenção para um fator pouco aludido nesta peleja sem precedentes, e que, a meu ver, funciona como um potencializador da cólera da imprensa contra o presidente da América: o seu deveras movimentado perfil no Twitter.
Tão logo Trump venceu a eleição e continuou a tuitar, jornalistas já exclamaram que seria inapropriado o chefe da Casa Branca seguir utilizando a ferramenta virtual após ser empossado no cargo. Mas as verdadeiras motivações por trás de tal objeção residem, efetivamente, no despreparo dos veículos de comunicação tradicionais para enfrentar um político armado de um meio de difusão de informação sobre o qual eles não têm (ainda, e não por falta de vontade) nenhum controle ou capacidade de manipulação. Vejamos, pois, as duas principais ameaças que o Twitter de Trump representa aos repórteres da Clinton News Network e demais apaniguadas:
1) Trump costuma “furar” a mídia por meio de seu perfil: A Carrier desistiu de transferir uma de suas instalações para o México e manteve 1000 empregos nos Estados Unidos? Você soube primeiro pelo @realDonaldTrump. A Fiat Chrysler anunciou o investimento de US$1 bilhão em Michigan e Ohio? Notícia exclusiva da rede social do presidente. Trump resolveu passar um pito nos chineses por roubarem um drone americano? Seu Twitter existe para isso mesmo, oras. E por aí vai.
A mídia estava habituada, desde sempre, a ser informada a respeito de toda e qualquer ação governamental, e ela, então, divulgar tudo em primeira mão. Não mais, aparentemente. Trump tira da imprensa uma parcela significativa de sua audiência com este expediente. O procedimento padrão, de transmitir aos jornais e redes de televisão qualquer nova intenção da maior autoridade estatal, bem como suas opiniões e posicionamentos a respeito de eventos ocorridos mundo afora, através de seu assessor de imprensa, para que, somente então, o grande público viesse a tomar conhecimento, parece ter ficado no passado. E perder esta reserva do mercado de mídia é algo extremamente grave para os cofres destas empresas.
Se os programas de governo forem anunciados todos por meio de seu perfil, vai ter muito diretor de redação arrancando os cabelos pela perda do público cativo. Também pudera: os tweets de Trump chegam a contabilizar centenas de milhares de RTs. Pense no alcance disso: é suficiente pra rodar o país inteiro e ainda sobra troco.
Aliás, ele poderia, com base na significativa disseminação de seus posts, extrapolar sua produção na grande rede e não mais pagar pela propaganda oficial do governo. Se sua equipe produzir um belo website, com vídeos e artigos, e usar o twitter para fazê-lo chegar ao povo americano, estará sendo dada publicidade às medidas adotadas pelo presidente sem gastar um centavo. Para que convocar coletivas, se ele pode gravar um pronunciamento e reproduzir online? Ou ainda fazê-lo ao vivo, caso prefira? Para que convocar rede nacional de televisão e rádio, se ele pode convocar seus quase vinte milhões de seguidores a passarem adiante sua mensagem?
Mais eficiência no manejo com o dinheiro do pagador de impostos do que isso é difícil imaginar – mas não surpreende, uma vez que Trump conseguiu a vitória no pleito eleitoral gastando em torno de ¼ do que dispendeu o partido Democrata. Mas essa economia de recursos públicos seria um baque (merecido) na liquidez de muitos grupos poderosos de comunicação daquele país.
2) Trump, como se um bom boxeador fosse, não deixa golpe sem resposta imediata: Não importa se foi Maryl Streep “lacrando” na cerimônia do Globo de Ouro, ou se foi o “bombástico” dossiê divulgado pela Buzznews, ou se números falaciosos a respeito do Obamacare vem à tona, ou se fatos distorcidos são noticiados, a reação de Trump é a mesma: em poucos minutos, o contragolpe vem a galope pelas raias da fibra ótica. 
Nada de notinhas comportadas (e do lar) como Michel Temer gosta de emitir, ou proferir respostas insosas ao estilo jogador de futebol, ou fazer cara de paisagem e ignorar a ofensa. Nada disso. Trump vai na jugular, e usando seu poderoso canhão de bytes. Deixar a mídia fazer lavagem cerebral em seus eleitores? De jeito nenhum.  Trump sempre faz questão de mostrar o outro lado (não enviesado à esquerda) das repetidas difamações contra sua imagem. E para Donald, a melhor defesa é o ataque. Vento que venta lá, venta cá.
A mídia ainda não se deu conta de que o sinal dos tempos já raiou no horizonte, e o seu cartel do broadcast político foi para o brejo junto com o advento da Internet. O “Uber” da imprensa chegou, e não vai ter Paulo Haddad para salvá-la – muito embora, com este papo de fakenews e a tentativa de censura de material produzido por comunicadores independentes, fique claro que eles bem que gostariam de calar estes profissionais. Eles foram a causa de sua derrota em oito de novembro, e eles mesmos continuarão ajudando Trump a desmascarar charlatões até 2020. Avante com 140 caracteres, mister president! Que  João Dória e Marchezan Jr copiem sua ideia descaradamente…

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sponholz e a falta de presídios


De cada três novos desempregados no mundo em 2017, um será brasileiro. Maldito populismo petista.

Em termos absolutos, o Brasil terá a terceira maior população de desempregados entre as maiores economias do mundo. Esta é a herança da demagogia lulopetista, que destruiu a economia do país. Marolinha, é, Lula?:


O Brasil terá em 2017 o maior aumento do desemprego entre as economias do G-20 e adicionará 1,4 milhão de novos trabalhadores sem emprego à sociedade até 2018. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho que, em um informe publicado nesta quinta-feira, alerta que o desemprego no País vai continuar a se expandir para atingir um total de 13,8 milhões de brasileiros até o ano que vem.

A OIT estima que, entre 2016 e 2017, o exército de desempregados no planeta aumentará em 3,4 milhões. Mas o epicentro dessa crise será o Brasil, responsável por 35% desse número, com 1,2 milhão em 2017 e mais 200 mil em 2018. De cada três novos desempregos no mundo, um será brasileiro.

Em termos absolutos, o Brasil terá a terceira maior população de desempregados entre as maiores economias do mundo, superado apenas pela China e Índia, países com uma população cinco vezes superior a do Brasil. Nos EUA, com uma população 50% superior à brasileira, são 5 milhões de desempregados a menos que no País.

"As coisas vão piorar no Brasil antes de voltar a melhorar", alertou o economista-senior da OIT, Steve Tobin. Pelos dados da entidade, o número de brasileiros sem empregos passará de 12,4 milhões em 2016 para 13,6 milhões em 2017. Para 2018, o número total chegará a 13,8 milhões. 

Em termos percentuais, o salto no desemprego no Brasil vai ser o maior entre as economias do G-20. A taxa irá passar de 11,5% em 2016 para 12,4% em 2017. Ao final de 2018, apenas a África do Sul terá um índice de desemprego ainda superior ao do Brasil. 

Na avaliação de Tobin, existem indicações de que a economia brasileira vai começar a se recuperar em 2018. Mas um impacto no mercado de trabalho não seria imediato, já que empresas tendem a aguardar antes de voltar a contratar. "Mesmo que o PIB melhore, existe uma reação retardada no mercado de trabalho", explicou. Na avaliação da entidade, a recessão em 2016 no Brasil foi "mais profunda que antecipada" e que essa realidade ainda vai se fazer sentir em 2017.

Um dos temores ainda da OIT é de que a informalidade no mercado de trabalho brasileiro cresça, assim como a taxa de pessoas em empregos precários. 

Impacto. Na OIT, os economistas não escondem que os números brasileiros tiveram um impacto mundial e afetaram os cálculos gerais. Para a entidade, como consequência, a América Latina tem hoje o maior desafio do desemprego no mundo, diante da recessão e suas consequências em 2017. Além disso, o continente conta ainda com uma população jovem, pressionando o mercado de trabalho. 

No total, a região deve terminar 2017 com uma taxa de desemprego de 8,4%, 0,3 pontos a mais que em 2016. "Isso será amplamente gerado pelo aumento do desemprego no Brasil", disse a OIT, lembrando que a recessão de 2016 foi a segunda em menos de uma década. 

De acordo com a entidade, com uma contração do PIB brasileiro de 3,3% e 2016, o resultado foi um impacto em toda a região e nas exportações de países vizinhos. O cenário brasileiro acabou levando o PIB regional a sofrer uma queda de 0,4%. Quanto mais dependente do Brasil, pior foi o resultado para o continente. Na América Central, por exemplo, a expansão do PIB foi de 2,4%. Já na América do Sul, a queda foi de 1,8%.

Uma das consequências deve ser ainda o grau de vulnerabilidade, mesmo entre aqueles com trabalho. Entre 2009 e 2014, esses problemas foram alvo de amplas melhorias. Mas com o fim do crescimento regional em 2015, a taxa de trabalhadores em condições precárias aumentou de novo e passou de 90,5 milhões naquele ano para uma estimativa de 93 milhões ao final deste ano. 

No médio prazo, a OIT ve a região com certo otimismo. A tendência aponta para uma estabilização dos preços de commodities e as "incertezas políticas e macroeconômicas começam a diminuir". O resultado seria uma volta do crescimento do PIB na região já em 2017, de cerca de 1,6%. 

Mas, ainda assim, a pressão sobre o mercado de trabalho vai continuar e o número de desempregados aumentará. Isso por conta da expansão da população jovem continuar a um ritmo mais acelerado que a criação de postos de trabalho. 

Mundo. Pelo mundo, a OIT alerta que o desemprego também deve aumentar em 2017, mas apenas de forma marginal. No total, serão 3,4 milhões de novos desempregados, uma taxa de 5,8%, contra 5,7% em 2016. 

Isso significa que um total de 201 milhões de pessoas estarão sem trabalho neste ano, um número que irá aumentar em outros 2,7 milhões em 2018. 

Se no início da década a explosão no desemprego foi gerado pela crise nos países ricos, agora os números apontam para os emergentes. Nas economias desenvolvidas, o número total de desempregados passará de 38,6 milhões de pessoas para 37,9 milhões entre 2016 e 2017. Mas, no mundo em desenvolvimento, ele subirá de 143,4 milhões para 147 milhões.

Para Guy Ryder, diretor-geral da OIT, o crescimento da economia mundial continua a ser "frustrante", o que deve criar sérios problemas para que mercados gerem postos de trabalho. 

Além do desemprego, a OIT alerta para o fato de que 42% daqueles com um trabalho ocupam postos com alta taxa de vulnerabilidade, baixos salários e nenhum direito. "Nos países emergentes, quase um em cada dois trabalhadores vivem uma situação de vulnerabilidade", disse Tobin, economista da OIT. 

Sem um crescimento suficiente da economia mundial, essa população com trabalhos precários deve aumentar em 11 milhões de pessoas. O número de trabalhadores ganhando menos de US$ 3,10 por dia deve também aumentar e mais de 5 milhões em apenas dois anos. (Estadão).

Culto à personalidade: o mito Obama.

João Luiz Mauad foi na mosca ao desmontar o mito Obama, um dos presidentes mais medíocres da história norte-americana. O presidente derrotado ganhou mais destaque na imprensa do que o presidente que entra, sempre bombardeado pelo esquerdismo hegemônico na tal de mídia. Tal como Chê Guevara, Obama virou ídolo. Que se vá para sempre:


Abro o Facebook e vejo meus amigos postarem imagens enaltecendo Obama e sua família. Ligo a TV e noto que a imensa maioria do noticiário dá mais destaque ao presidente que sai do que ao que entra. A notória Globo News chegou ao ineditismo de transmitir, ao vivo, um discurso de despedida (?!), no qual, entre outras coisas, o presidente faz declarações de amor à primeira-dama. Tudo calculado, como num conto de fadas. Mas nunca é demais lembrar que a América não é uma monarquia, onde esse tipo de folhetim faria algum sentido.

É difícil transmitir a escala em que Obama – o ícone – tem dominado as atenções mundo afora e, particularmente, como não poderia deixar de ser, em Pindorama. O presidente que sai não é meramente popular, nem é apenas um político popstar. Obama tornou-se outra coisa aos olhos do mundo. Ele é agora um ídolo. E como todos os ídolos, sua imagem está em toda parte.

A verdade é que Obama inspirou uma devoção mais apaixonada do que qualquer outro político contemporâneo. As pessoas gritam e desmaiam em seus comícios, cujos discursos são preparados com extremo cuidado. Alguns usam camisetas proclamando-o “The One”. Um editor da Newsweek chegou ao cúmulo da adulação ao descrevê-lo como “acima do país, acima do mundo; Uma espécie de Deus.”

Como bem ressalta o jornalista Roberto Dias, no entanto, “sem a mediação de lentes e microfones, porém, o saldo de seu governo parece menos iluminado do que a imagem pessoal. Nove anos depois, é difícil enxergar um mundo que tenha andado no rumo daquele desenhado pelo senador em 2008. Pode-se dizer até que está mais distante – ainda mais intolerante, ainda mais protecionista, ainda mais perigoso. Dotado dos maiores poderes conferidos a um humano, ele não conseguiu realizar algo bem específico como fechar a prisão de Guantánamo, símbolo da era Bush que prometera desmontar. A falta de gosto pela pequena política cobra seu preço.”

Ainda que seu governo tivesse sido um fragoroso sucesso, esse culto à personalidade de Obama seria algo perigoso e indesejável, pelo menos àqueles que prezam a liberdade e a democracia, regidas por leis e instituições, e não por ungidos e luminares. Não por acaso, durante a Guerra Fria, os americanos costumavam criticar os países comunistas pelo culto à personalidade que cercava seus líderes, cuidadosamente planejado pelos respectivos ministérios de propaganda (Agitprop). Mas a Cuba castrista, a China maoista e a Rússia stalinista não têm nada a ver com a América de Obama, dizem seus seguidores. Claro!

Concedamos a ele o benefício da dúvida. Talvez Obama não tenha incentivado o culto à personalidade que o rodeia. Talvez tudo isso seja resultado de sua personalidade forte e carismática. Mas ele por certo não o desencorajou. Como candidato, embalado pelo slogan “yes, we can!”, prometeu “mudar o mundo”, “transformar este país” e até mesmo “criar um novo Reino aqui na terra”. Como presidente, ele continuou acrescentando detalhes a essa ambiciosa lista de desejos. Prometeu criar milhões de empregos, curar o câncer, buscar um mundo sem armas nucleares, frear o aquecimento global e, last but not least, reduzir as desigualdades. Infelizmente, a realidade é sempre mais poderosa que as nossas vontades e desejos, mas os fracassos do ídolo não mudaram a sua imagem imaculada perante os fiéis.

Como bem lembrou Helen Sealrs, em quase tudo esse culto à Obama se parece com o que aconteceu ao famigerado Che Guevara, cuja imagem – legada à posteridade pelo fotógrafo Alberto Korda -, era apenas um rosto, totalmente apartado de sua vida política, usada para decorar os quartos da juventude ocidental, sempre ávida por revoluções que pudessem (ora, ora!) “mudar o mundo”. Poucos dos que possuíam o famoso poster sabiam muito sobre o real Che Guevara, mas tê-lo em sua parede sinalizava que você era de alguma forma progressista e idealista. Com Obama, o progresso e o idealismo foram substituídos pela esperança e pela fé, senão pelo empoderamento – essa palavra horrorosa que, infelizmente, tomou conta dos corações e mentes de muita gente. Para completar, hoje não são só os adolescentes imaturos e radicais que se identificam com esta mensagem quase religiosa e transformaram Obama em algo que, definitivamente, ele não é.

Esperemos que toda essa devoção seja passageira… (Instituto Liberal).

O Brasil só tem conserto por inteiro

Fernão Lara Mesquita, no Estadão: "Já é muito tarde e pode ser tarde demais. O Brasil só tem conserto por inteiro. Nada entrará nos eixos a menos que tudo entre nos eixos":


Não nos deu nem 24 horas de ilusão este 2017!

Passados 25 anos do Carandiru, eis-nos “evoluídos” para o massacre anárquico e randômico entre iguais. Não há mais autoridade estabelecida, nem dentro da hierarquia desse Estado que engole a chantagem corporativa sem piar, nem nos territórios livres dos presídios “de segurança máxima”, de que ele acaba trancado para fora, onde tudo eventualmente se afoga em sangue.

São as duas faces de uma mesma moeda. O crime organizado é a objetividade ultrarradicalizada. Os caminhos entre decisão e execução são diretos e retos como a trajetória das balas e o fio dos facões. O Estado brasileiro, refém das corporações do funcionalismo, é a última expressão de um jogo de sombras multicentenário. Nada ali é o que parece, cada passo de cada processo é um Everest a ser vencido.

Um não é páreo para o outro.

O terreno sempre foi fértil. Menos de 2% dos assassinos têm sido julgados e condenados no País, dos 60 mil homicídios por ano. O crime máximo, o crime irreversível, a desgraça irremediável repete-se 164 vezes por dia, 365 vezes por ano, mas para os seus autores há sempre remédio. Eles estarão de volta às ruas em cinco ou seis anos, em média; 70% voltarão para o cárcere depois de matar e desgraçar irremediavelmente outra vez, mas o Estado que não consegue habilitar as crianças que se lhe entregam virgens seguirá impávido, tomando como exclusiva a “vocação reabilitadora” dos tugúrios aos quais recolhe suas bestas-feras.

“Prendemos muito e mal” ou soltamos muito e mal? Enquanto debatemos essa momentosa questão, os 98% de assassinos impunes tratam de se impor ao nosso favelão continental pelo marketing da brutalidade. No Brasil Real, que não sai no jornal, não se tem ou se deixa de ter razão. Está-se vivo ou se está morto.

Nesse meio tempo, o mundo foi e nós ficamos. O PT coseu o Estado à faca e deu a mão às Farc. “La revolución” saltou do Caribe para as selvas da Colômbia, rolou Solimões abaixo, subiu os morros de fuzil na mão e agora jaz, aos pedaços, nas caçambas do IML. O poder da droga é filho da droga do poder. Do pacotinho do morro para as festas dos “famosos”, o nosso Estado imunodeficiente à corrupção, blindado contra a deseleição e aparelhado por um funcionalismo eternamente “estável”, único fiscal de si mesmo, ensejou o salto para a condição de “hub” global de distribuição de “commodities” alcaloides e fornecimento de armas para o Oriente Médio. E se a família está na droga, se não há certo nem errado, se não é clara a linha que separa o direito à diferença da dissolução, não há limite. O tamanho da brutalidade é o tamanho do poder que se disputa. Narcos mexicanos, Estado Islâmico... são estes os tempos...

Aqui fora é difícil definir quem está preso, quem está solto, mas salvação mesmo só pelo silêncio, sob as asas da facção ou... pelo concurso público. Todo mundo sabe, ninguém diz. Nós normalizamos a anormalidade. Esse nosso modo tão renitentemente decidido de esquartejar a “narrativa” do nossa drama é mais sinistro que os fatos. Tudo parece sempre estar desligado de tudo. No Congresso segue imperturbável o comércio com que se disputa a prerrogativa de presidir a venda de indulgência plenária às agruras da competição mundial e da insegurança econômica, que mantém todos os que não alcançam uma no inferno. Os doutos juristas das nossas cinco Justiças de recursos sem fim cobram o “devido processo legal” especificamente desenhado para não ter fim, todo ele “transitado em julgado”, para tirar o crime das ruas. Os advogados “progressistas” clamam contra a desumanidade da superlotação das prisões, mas criminalizam (sim, cri-mi-na-li-zam!!!) a advocacia “pro bono” e só se movem por dinheiro. As unidades “da Federação”, criadas nem pela História, nem pela economia, mas pela cissiparidade do agente patológico que nos parasita a política, afastam de si os cálices sucessivamente esvaziados e balem por mais. Não há R$ 10 bilhões para deter o horror. Mas entre a “impopularidade” da guerrinha televisionada da porta da Assembleia Legislativa do Rio em defesa dos 70% de aumento real arrancados à miséria do Brasil e os banhos de sangue nas prisões dos Estados falidos não há um minuto de hesitação. O poder sabe quem tem a força. Com 100 presos despedaçados e 12 milhões de empregos ainda insepultos, lá vão 53% de aumento “por produtividade” para os estranguladores de empresas da Receita Federal e da “Justiça do Trabalho”, a guarda pretoriana do “custo Brasil”. E com escárnio, batendo o pau na mesa: “Mesmo para os aposentados, mesmo para os pensionistas”!

Já é muito tarde e pode ser tarde demais. O Brasil só tem conserto por inteiro. Nada entrará nos eixos a menos que tudo entre nos eixos. O Estado não conseguirá entrar nas penitenciárias dominadas pelo crime se não conseguir entrar nos enclaves corporativos que mantém indevassáveis. Não há como instilar-lhe funcionalidade sem impor-lhe a lei do merecimento. Não há como impor-lhe a lei do merecimento sem o fim da estabilidade perpétua.

Não se restabelecerá a segurança pública, dentro e fora dos presídios, antes que se restabeleça a segurança econômica. E não se restabelecerá a segurança econômica antes que se estabeleça a igualdade perante a lei.

O Brasil não se redimirá substituindo pessoas dentro do “sistema”. É preciso colocar o “sistema” inteiro sob nova direção. Inverter os vetores de todas as forças que atuam sobre ele. Reconstruir a partir do zero a cadeia de cumplicidades que o põem em movimento.

A lei não imperará sobre os que hoje isenta a menos que deixe de ser escrita e executada exclusivamente por eles. A chave comutadora está na conquista dos direitos de referendo das leis dos Legislativos e “recall” (“cassação”, “retomada”) dos mandatos eletivos por iniciativa popular a partir da instância municipal e dela para cima.

Só a dependência inverte a cadeia das lealdades e põe todos os interesses apontados para a mesma direção. O resto é poesia.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Cria cuervos y te sacarán los ojos

Percival Puggina alerta para um ponto relevante na questão da insegurança nacional, dentro e fora das prisões: o crime e a violência avançam também por motivação política e ideológica. Tem razão: nos últimos 15 anos, o lulopetismo afagou a cabeça dos bandidos, relativizando o crime - mero "erro" - e erigindo os criminosos a "vítimas da sociedade", com a cumplicidade das universidades e das igrejas - sem contar que a lei é uma brandura nesse país que nem sequer tem prisão perpétua para autores de crimes hediondos: 


Quando as imagens do massacre de Manaus me caíram diante dos olhos, lembrei-me do ditado espanhol - "Cria cuervos y te sacarán los ojos". Naquelas cenas reiteravam o quanto é pueril supor que há perversidades inacessíveis ao homem. Não há. Feras não podem se humanizar, mas o contrário não é verdadeiro. E quando acontece, a ferocidade se potencializa pela aplicação da inteligência ao mal.

Muitas vezes, algo que parece nascido da boa intenção, tornando quase impossível ser percebido de modo diverso, acaba prestando extraordinário serviço ao mal e a seus objetivos. Pondere o que aconteceu com a sociedade brasileira, em avassaladora proporção, nas últimas décadas. Para tal fim, seja seu próprio instituto de pesquisa. Examine suas experiências de vida e as informações que lhe chegam de variadas fontes e modos. Tenho certeza de que acabará concluindo que a nação passou da quota na quantidade de maus cidadãos, de patifes, mentirosos, velhacos, corruptos, traiçoeiros e dirigentes de igual perfil, cujas decisões põem a ética e o bem de cabeça para baixo.

O que se constata nessa observação ligeira, mas suficiente, não é causa de si mesma em circuito fechado, mas consequência de uma atitude pedagógica aparentemente generosa, que concede liberdade sem responsabilidade, direitos sem deveres, prêmios sem méritos, amor sem exigências, educação sem restrição. E tolera a falta sem punição e o crime sem pena.

Temos recebido doses maciças disso nas famílias, nas salas de aula, nas relações sociais, no trabalho e na política. Então, prezado leitor destas poucas linhas, se lhe ocorre, ao lê-las, a ideia de que os cuervos a que me refiro estão enjaulados nas penitenciárias do Brasil, crocitando e executando sentenças de morte, ali mesmo ou nas nossas ruas e estradas, você se enganou. É ao seu criatório que me refiro. Ele está por toda parte, está aí na volta, combatendo a polícia, rindo da lei, declarando a morte da instituição familiar, chamando bandido de herói e herói de bandido, fazendo novelas de TV, ridicularizando a virtude, aplaudindo o vício, enxotando a religião, desautorizando quem educa ou usando a Educação para fazer política e relativizando a vida (aconteceu o que, em Manaus e Roraima, que não ocorra diariamente, com tesouras e pinças, em salas de aborto?).

Há cuervos que não se apresentam como tal.

Não estou afirmando que as pautas da violência se esgotem nestas que menciono. Estou dizendo, isto sim, que o crime e a violência avançam, inclusive, por motivação política e ideológica. E estou reafirmando, mais uma vez, que consciências ou se formam ou se deformam. Há no Brasil um evidente empenho em criar seres humanos com consciência de corvos. (Blog do Puggina).

Extremistas dão aulas às crianças

Em texto publicado no Observador, Maria João Marques trata da questão do ensino de História em Portugal, mas a situação que descreve lá é ainda pior aqui no Brasil (vide ideologia de gênero, prevalecente nas escolas):


No ano letivo passado, a criança mais velha, então no quarto ano, teve pela primeira vez História de Portugal. Eu fiquei muito feliz (História sempre foi das minhas disciplinas preferidas e finalmente lá teria alguém em casa mais desperto para as secas que de vez em quando dou sobre este ou aquele pormenor do passado). O petiz saiu da aprendizagem interessado por História (o que diz muito bem da professora), mas de lá do meio do programa algo fez o rapaz ficar baralhado com as misérias do Portugal monárquico e as maravilhas do Portugal republicano.

Por razões misteriosas, ficou convencido que monarquia era sinónimo de ditadura e pobreza. E que a república, em Portugal, havia trazido o melhor dos mundos. Lá tive eu – que sou republicana, mesmo que não diabolize a monarquia (ok, assumo, é impossível resistir a gozar com certos membros de certas famílias reais) – que repor, naquela impressionável e adorável cabeça, a verdade.

Que a pobreza dos tempos monárquicos se devia mais às características secularmente estruturais de Portugal (e que muitas delas persistem hoje, iguais ou ligeiramente travestidas) que ao singelo facto de termos monarcas. Que a Primeira República foi uma rebaldaria indecorosa, com atropelos graves aos direitos e liberdades dos portugueses e de um anticlericalismo radical e dispensável. Que chegou à infâmia de proibir explicitamente o voto feminino, anteriormente possível em circunstâncias estreitas. Que nada faz equivaler ditaduras a monarquias. Que o ditatorial Estado Novo (de resto convidado pela rebaldaria) era um regime republicano. Que vários países europeus ricos e democráticos são monarquias e que a coisa socialista proto-totalitária venezuelana é uma república, bem como todos os totalitarismos comunistas (sendo que estes costumam descambar em monarquias das más, de facto). Etc., etc., etc..

Também lhe disse, claro, que a vantagem da república, se democrática, é manifestarmos a nossa preferência através do voto sobre quem deve ser o chefe de estado, sem estarmos dependentes dos membros de uma família real que, em alguns casos, são indefensáveis. E lá lhe falei dessa inescapável lei da vida: os melhores monarcas são sempre os que foram educados sem a perspetiva de serem monarcas (ou sem serem estragados pela inevitável adulação e mimo que geralmente vêm quando estes caminhos são esperados). Testei-lhe mesmo a paciência com a famosa teoria dos ciclos dinásticos chineses: os primeiros imperadores de uma dinastia eram gente impecável; os últimos uns debochados, reinando sobre uma corte corrupta e viciada, a serem corridos (conselhos de Mêncio) pela populaça devidamente avisada desta necessidade pelos recorrentes terramotos e cheias com que a divindade sinalizava o vício e a incompetência do monarca.

Mas algum conjunto de almas prestimosas no ministério da educação decidiu catequizar as crianças no republicanismo (acrítico) e no anti-monarquismo. Tenho de estar alerta, não vão os entusiasmos com o centenário da revolução russa colocar nos programas dos adolescentes aqui e ali elogios à paz e à prosperidade que o bloco soviético trouxe ao mundo. Daqueles que se liam nos romancistas (e nos cronistas) do lado do Bem (atentar à maiúscula) dos anos oitenta, antes de ficarem escancarados ao mundo o luxo em que vivia a nomemklatura soviética, em contraste com o resto da população austera à força. Ou o bom tratamento às crianças deficientes da Roménia de Ceausescu. Ou as aldrabices que muitas pessoas escreviam.

O pior é que as almas prestimosas do ministério da educação não se contentam com os méritos e deméritos de monarquias e repúblicas. Por estes dias querem intrometer-se até na forma como os adolescentes exprimem as suas inclinações românticas e sexuais uns pelos outros. Já aqui abordei a absurda proposta de apresentar o aborto às crianças do quinto ano – pelo meu filho, declino já tão amável intento – mas há mais, claro. Os ministérios da saúde e da educação pretendem que se fale dos vários tipos de famílias, não vão os petizes crescer com a ideia de normalidade associada a um pai e a uma mãe.

Atenção que sou favorável ao casamento de casais do mesmo sexo e que vejo como claramente preferível a adoção por estes casais à manutenção da institucionalização das crianças. Mas irrita-me em abundância que o ministério da educação se substitua aos pais neste ensino de intimidades – como são as relações familiares e afetivas.

Piora. Estes extremistas progressistas têm companhia: a Juventude Popular lembrou-se de propor a promoção da abstinência nas aulas de Educação Sexual. O que nos faz esconder a cara nas mãos por várias razões.

A. Nem o partido mais à direita consegue sair do espartilho em que a esquerda coloca as discussões políticas. Em vez de vociferar que quem ensina os adolescentes sobre as geometrias das relações sexuais e a idade e circunstâncias em que estas devem começar são os pais, eis que entendem também que o estado deve intrometer-se, mas em sentido contrário, impondo uma visão conservadora radical da sexualidade. B. Como Alexandre Homem Cristo aqui escreveu, o ensino da abstinência como método contracetivo e para evitar doenças sexualmente transmissíveis é muito falível. Os adolescentes não vão acatar as recomendações e não ficam apetrechados para evitar perigos. C. É uma proposta requentada das políticas americanas tão amadas pelos republicanos evangélicos, que geram consequências sórdidas como aqueles juramentos de virgindade até ao casamento feitos pelas filhas aos pais (!).

A educação sexual é fundamental. Deve ensinar as questões biológicas e centrar-se em evitar gravidezes indesejadas e DST. E no resto enxotemos as senhoras de meia idade solteiras e sem filhos (surripio a descrição ao autor e blogger Vítor Cunha), que são as ideólogas do PS para as questões de família, e os jovens populares, que também ainda não procriaram, dos programas das crianças.

Trump: relação com Putin é um "ativo" - e não risco.

O presidente eleito negou que a aproximação com o presidente russo Vladimir Putin seja um risco para o país. Em entrevista coletiva, Trump criticou a imprensa - quase toda ligada aos democratas, falsos liberais - por publicar "relatos falsos":


O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, negou em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 11, que sua aproximação com a Rússia seja motivada por informações sigilosas que o Kremlin tenha reunido sobre ele, como indicam relatos não confirmados de inteligência publicados na terça-feira pelo Buzzfeed e a CNN. Foi a primeira vez que o novo presidente falou com a imprensa desde a sua eleição.

Ele disse que não tem dívidas, negócios ou empréstimos na Rússia, nem que foi filmado em situações pessoais potencialmente embaraçosas. Trump ainda afirmou que sua proximidade com Vladimir Putin é um ativo, não um risco.

O magnata republicano também criticou os veículos que publicaram os relatos não confirmados e disse que essas informações são falsas e não deveriam ter vindo a público. O novo presidente também admitiu que a Rússia teve um papel ao hackear o Comitê Nacional Democrata durante a campanha, mas relativizou a ação, dizendo que outros atos de ciberespionagem, principalmente feitos pela China, não tiveram a mesma atenção.

Sobre os relatos publicados pela CNN e o Buzzfeed, de que teria sido flagrado em vídeo em práticas sexuais incomuns, Trump disse: ” Eu digo a todo mundo que viaja comigo para tomar cuidado com câmeras”, afirmou. “Além disso, tem medo de germes.”

Trump aproveitou também para exaltar os acordos recentes com montadoras que pretendem reinvestir nos Estados Unidos e disse que novos acordos similares devem vir da indústria farmacêutica. O magnata também declarou que, apesar de não precisar, irá abandonar seus negócios em prol de seus filhos. “Eu conseguiria dirigir o país e a empresa ao mesmo tempo, mas não quero fazer isso”, disse.

Guerra nos presídios é caso de defesa nacional

J. Nêumanne acerta ao dizer que o Brasil vive um sério problema de segurança nacional. A questão, ressalta o articulista do Estadão, é que o presidente Temer e seu secretário de Segurança, Alexandre Morais, "voam como baratas tontas", enquanto os governadores, a Justiça e o Congresso não ajudam em nada:


O Estado brasileiro está sendo posto contra a parede: ou intervém e ocupa o sistema presidiário ou abre mão de controle e poder sobre parte do território do País. Não se trata mais de um caso de segurança pública, mas de defesa nacional.

Documentos e conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público (MP) revelam a facilidade com que uma das 27 facções criminosas em guerra nos presídios, o Primeiro Comando da Capital (PCC), vem conseguindo celulares e ordenando crimes dentro de presídios em Roraima desde 2014. Então, a Operação Weak Link, da PF, devassou-a no Estado. Além disso, exige a saída de rivais da cadeia – o que teria motivado a fuga de pelo menos 145 detentos. Investigadores do combate ao crime organizado acompanham o crescimento do PCC em Roraima há pelo menos cinco anos. Isso é pouco?

A notícia, publicada no Estadão, revela que a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, tem toda a razão em pedir ajuda do Poder Executivo para que se faça um censo carcerário urgente e indispensável, capaz de contar quantos presos há de fato. Ela foi avisada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Paulo Rabello de Castro, de que os dados que têm sido citados não são confiáveis. De fato, urge revelar quem está preso e por quê. Em seguida, reassumir o comando sobre as celas. Para tanto, antes de construir novos presídios e bloquear celulares nas cadeias, será necessário recriar um órgão de inteligência decente, inexistente desde o desmonte do Serviço Nacional de Informações (SNI) promovido por Collor. E com agentes infiltrados nos presídios. Sem isso não dá para saber o que na realidade acontece nas prisões nem como são planejadas e executadas tais carnificinas.

Dominadas pelo crime, as penitenciárias estão fora da lei. O preso precisa voltar a ser tratado como indivíduo, e não como membro de um bando ou quadrilha em luta dentro do presídio. Se a lei não for imposta, o Estado perderá essa guerra.

Infelizmente, o voo de baratas tontas dos mandachuvas do Executivo sobre a barbárie reinante nas penitenciárias Anísio Jobim, Monte Cristo, Pedrinhas e muitas outras em territórios sob sua jurisdição impede que o governo federal sequer pareça ter percebido o que, de fato, acontece. O presidente Michel Temer levou quatro dias para falar da tragédia em Manaus e quando falou cuspiu no bom senso anunciando “solidariedade governamental” para evitar mais um “acidente pavoroso”. Diante de cabeças decepadas e exibidas ao mundo estarrecido, reagiu como se estivesse comentando a nuvem tóxica de Cubatão ou as tempestades de verão que desabaram no Rio Grande do Sul na semana passada.

Em vez de acompanhar Cármen Lúcia em Manaus, onde ela se reuniu com desembargadores, juízes e procuradores, Temer recusou-se a deixar Brasília, como se tivesse medo de enfrentar a dura realidade que o esperava nas celas do Compaj. A menos de uma semana do primeiro massacre, Temer foi a Esteio (RS) entregar ambulâncias e a Lisboa para o enterro de Mário Soares. Sem antes repreender seu amigo ministro da Justiça, que deu seguidas provas de incapacidade de exercer o cargo. Alexandre de Moraes foi ao Amazonas e repetiu seu mantra de ex-secretário de Segurança de Alckmin, segundo quem a imprensa exagera a importância e o poder de fogo das facções criminosas.

A reação de Moraes ao massacre na penitenciária agrícola de Roraima foi ainda mais patética. Ele desmentiu a governadora Suely Campos, que disse ter-lhe pedido ajuda para evitar a tragédia, em ofício de novembro. Exposto, o documento desmentia seu desmentido e ele tergiversou, argumentando que ela não teria especificado o sistema prisional. Diante da exibição pública de seu novo engano, reconheceu o erro crasso e seguiu em frente. Não pediu desculpas nem seu chefe o repreendeu pelas falhas.

Com seu plano nacional de paliativos repetitivos, Moraes desafia o lugar-comum de que tal tema é dever constitucional de Estados, e não da União. O ex-presidente do STF Carlos Ayres Britto e o constitucionalista Oscar Vilhena argumentam que o problema deve ser encarado por governo federal e Estados em conjunto. O relevante agora é construir um pacto federativo que atenda ao interesse maior da sociedade: paz nas celas e nas ruas.

A Justiça também teria de aderir a esse pacto, propondo-se a fazer muito mais até do que Cármen Lúcia tem feito até agora. Desocupar prisões superlotadas com condenados que não pagaram pensão alimentícia aos filhos – providência tomada em Roraima, abrindo 161 vagas – devia ser uma espécie de ponto de partida para a Justiça participar do mutirão nacional pela retomada do poder nas cadeias.

Juízes e promotores devem à sociedade a obrigação de fiscalizar os presídios. E, além disso, perdem completamente a autoridade de exigir medidas contra a corrupção por não apoiarem o Legislativo em mudanças do Estatuto da Magistratura, mercê do qual a desembargadora Encarnação das Graças Salgado, acusada pela PF de prestar serviços à Família do Norte, está recebendo R$ 65 mil de proventos mensais. E não sofreu punição alguma. Urge combater a corrupção de colarinho-branco. Mas promotores e juízes precisam respeitar as mesmas leis, como os cidadãos que eles acusam e julgam.

O Congresso (em recesso) deveria integrar esse mutirão para enfrentar este caos absurdo e apavorante de degolas em cadeias e a omissão conivente dos juízes. Os representantes do povo precisam cumprir o dever constitucional de vistoriar presídios. E produzir leis para eliminar privilégios de juízes e promotores que ganham acima do teto, além de punir quem vende sentença ou presta serviços ao crime. Essa omissão é grave falha de responsabilidade. O Congresso só se ocupa dos próprios interesses corporativos e este é um imperdoável crime de lesa-pátria.